Lançado em 2019 como resistência após o "crime da Vale", 2º Festival de Arte e Cultura de Casa Branca fará atividades online a partir deste domingo (20), com apresentações do Grupo Trampulim, jams sessions de Maurício Tizumba, pintura ao vivo de um painel por Clara Valente e  instalação de uma escultura cinética de Brígida Campbell no espaço público do vilarejo  

Um corredor de faixas com trechos de poesias e frases inspiradoras darão as boas vindas a quem entra e a quem sai do pequeno vilarejo localizado na zona rural de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ao longo de uma semana, o festival vai promover instalações, ocupar a programação da Rádio Guará e realizar, em27 de jun ho, seis horas consecutivas de programação de shows e apresentações ao vivo transmitidas pelas redes sociais.

Maurício Tizumba e convidados como Vitor Santana e Danusa Menezes são algumas das atrações, além do Grupo Trampulim e um recital de vídeo-poesias com Brisa Marques e outros escritores e artistas plásticos. 

Entre as atrações de artes visuais, está a instalação "O movimento sutil das coisas", de Brígida Campbell. A escultura cinética, que tem dimensões 80x80cm e um suporte de aproximadamente dois metros de altura, será colocada na praça do bairro Jardim Casa Branca.

Já Fred Paulino, em colaboração com o Coletivo Birulei, prepara uma obra digital com realidade aumentada batizada de "A árvore dos sonhos", usando como suporte o tronco da paineira, símbolo do festival, que se localiza na praça principal do vilarejo.

E as integrantes do Confio Ateliê Criativo, projeto desenvolvido para atender mulheres e adolescentes atingidas pelo desabamento da barragem do Córrego do Feijão, farão uma instalação em crochê no principal ponto de ônibus de Casa Branca.

Uma das principais atividades da programação ocorrerá durante toda a semana, com cinco edições diárias consecutivas: o especial da Rádio Guará - A Voz de Brumadinho, canal de Youtube organizado e apresentado pelo ator e diretor Adyr Assumpção (morador de Casa Branca), terá como convidados os curadores e artistas participantes do festival.

Casa Branca está a apenas 40 quilômetros do centro de Belo Horizonte e localizada no centro de um frutífero circuito cultural formado pelo Instituto Inhotim; o JACA – Centro de Arte e Tecnologia, no bairro Jardim Canadá; o C.A.S.A. - Centro de Arte Suspensa & Armatrux, em Nova Lima; ateliês de ceramistas na região de Moeda, entre outros espaços culturais.

O Casa Branca Fest surgiu logo após o rompimento da barragem no Córrego do Feijão para contribuir com a restauração econômica e social da comunidade por meio da arte e da cultura. A primeira edição, em 2019, teve dois dias de programação, gerando renda para o município e para o comércio gastronômico e hoteleiro local. Esta edição também realizou o protesto “Ato em memória: Somos todos atingidos”, para denunciar o rompimento da barragem da mineradora Vale.

Por meio de sua programação, o Casa Branca Fest colabora também para restabelecer a autoestima da população, gera articulações entre a comunidade e propõe alternativas de desenvolvimento por meio da economia criativa: o turismo ecológico (visitação consciente a trilhas, cachoeiras), a sustentabilidade (novas formas de ocupação espacial e econômica) e a valorização do comércio local.