Até segunda ordem, o bruxinho Harry Potter aposentou mesmo a varinha após sete livros e oito filmes baseados na obra de J. K. Rowling. Mas a atmosfera mágica, permeada por várias camadas de mistério e romance, criada para as histórias do aluno da casa Griffinória, ressurge com grande força em “Animais Fantásticos e os Crimes de Grindelwald”, principal estreia de hoje (15) nos cinemas.
 
Embora também fale de bruxos e trouxas, como uma prequel ao estilo de “O Hobbit” (da franquia “O Senhor dos Anéis”) e a segunda trilogia de “Star Wars”, explorando o nascimento de alguns conflitos e detalhes, o primeiro filme – “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, lançado em 2016 – decepcionou um bocado para quem esperava uma expansão mais linear do universo de Potter.
 
“Os Crimes de Grindelwald” corrige essa rota de maneira pouco comum, deixando menos espaço para o personagem central, Newt Scamander. Fechado em seu mundo e sem a mesma aptidão para enfrentar os dilemas da vida, ele não tem o carisma de Potter, o que pode ser explicado, em parte, pelos excessivos trejeitos do ator Eddie Redmayne, longe de se descolar de seu papel em “A Teoria de Tudo”.
 
O mistério fica muitos degraus acima do desenvolvimento do personagem nesta segunda parte, com a narrativa avançando em outros sentidos – a grande pergunta gira em torno do tamanho do poder do vilão Grindelwald (Johnny Depp), que, apesar de mostrar seus poderes apenas no grand finale, deixa claro ser um líder sedutor, trabalhando a insatisfação gerada nos bruxos pelas ações rígidas da Macusa, a organização dos mágicos americanos.
 
Luta de poderes
O conflito-mor se estabelece justamente entre a falta de habilidade da Macusa e o consequente crescimento do Mal. Alvo Dumbledore (Jude Law) está entre eles, como um poder moderado, temido pelos outros dois. Desta forma, a narrativa foca na luta de poderes, enquanto peças importantes vão surgindo neste quebra-cabeça, como o bruxo Creedence, cujo passado enigmático também é um dos motores do filme.
 
A fragilidade de Newt fica mais atrelada a um amor puro por Porpentina (Katherine Waterston), deixando em suspense o momento em que se declarará. Claro que Newt tem papel decisivo no quesito ação, como protegido de Dumbledore, mas o personagem parece ainda não se dar conta do grande choque de forças previsto para acontecer, especialmente nos próximos três filmes.
 
Como na série com Potter, fica a expectativa sobre o amadurecimento de Newt ao lidar com perdas e novos desafios, quando precisará sair de seu mundinho formado por animais fantásticos.