O programa diário de Fabio Porchat e o semanal de Marcelo Adnet, à primeira vista, são muito diversos na forma. O de Adnet é mais próximo de um "game show", ainda que escrachado e sem rigor nos supostos jogos. O de Porchat é o "talk show" noturno conhecido, dos primórdios da TV americana e popularizado no Brasil por Jô Soares, mas também avacalha a fórmula.

Nas primeiras apresentações, nenhum dos dois programas foi particularmente feliz. Percebe-se um excesso de edição, seja para cobrir os evidentes buracos de roteiro na Record, seja para controlar artificialmente o ritmo de humor e a mensagem na Globo. Também se nota uma tensão própria de estreia, atrapalhando a improvisação, um forte de ambos os comediantes no teatro. No caso de Porchat, a tensão já se reduziu no segundo dia, quinta (25).

Na verdade, pouco importam os formatos nem sequer as piadas escritas para eles, ainda sem maior qualidade neste princípio. O que define e diferencia os programas é a personalidade de palco que carregam para a televisão. Como foi possível acompanhar em uma década de apresentações ao vivo, eles são muito diversos. Porchat tem empatia maior. Adnet é mais radical, exagerado. Quando é engraçado, Adnet é de derrubar da cadeira, mas se adapta com dificuldade ao humor inofensivo da TV aberta no Brasil. Não é difícil compreender por que foi trocado por Pedro Bial -que não tem graça, mas é agradável- na hora de substituir Jô.

Porchat, em comédias e "stand-up", ofusca quase todos à sua volta, mas ao mesmo tempo interage naturalmente com quem quer que seja. Não provoca constrangimento nem quando evidencia divergência política -o que já fez com Tiririca. Adnet, não. Ele traz conflito, carregado de sarcasmo, com quem quer que seja. Seus bons momentos, na estreia, foram aqueles em que deixou o narrador Galvão Bueno à vontade, dizendo amá lo, mas ao mesmo tempo lembrou a rejeição que o cerca. Está sufocado pela obsessão da emissora com autodivulgação, tornando o "Adnight" quase um "Vídeo Show" noturno, mas nem assim é comediante fácil. É como se estivesse prestes a ferir alguém com veneno.

Sejam quais forem as diferenças, estão ambos em cenários inóspitos. Sabe-se a que foi reduzido o humor originalmente anárquico e inteligente de Fausto Silva, por exemplo, e o que espera Adnet se a emissora não se dispuser a mudar. Da mesma maneira, por mais que Porchat defenda o respeito à diversidade sexual, o fato é que está no canal de um líder religioso que se bate pelo direito à homofobia, entre outras bandeiras.

NA TV
Programa do Porchat
QUANDO seg. a sex., depois da meia-noite, na Record
AVALIAÇÃO muito bom

NA TV
Adnight
QUANDO qui., às 23h, na Globo
AVALIAÇÃO bom