Sem manter BH, Aécio Neves e Lacerda terão futuro incerto

Orion Teixeira / 25/01/2016 - 09h20

Apesar de algum constrangimento que as pressões têm criado, tucanos e aliados já compreenderam que não adianta ficar insistindo, neste ano, em uma candidatura do senador Antonio Anastasia (PSDB) a prefeito de Belo Horizonte. Embora tido como favorito, o tucano não quer deixar uma situação tranquila e em maturação (senador por mais sete anos) para entrar em uma briga que não é sua e que traz mais riscos e desvantagens à sua trajetória política. Se vencer, teria feito “mais que a obrigação”; se perde, viraria um senador de asa quebrada.

Sem essa fórmula salvadora, seu campo político, liderado pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, terá que buscar a solução que, primeiro, mantenha o grupo unido e, depois, que vença as eleições. Se não há fator surpresa, a proposta deve ser construída coletivamente. Depois de ter cometido o erro da eleição passada, Aécio não se atreverá mais a decidir sozinho. Primeiro, para não carregar nos ombros a responsabilidade por novo equívoco; segundo, porque desta vez não pode perder.

Não importa, para ele, quantos municípios o PSDB e aliados irão conquistar em 2016. Colônia de todas as colônias, a capital mineira tem uma mística segundo a qual suas decisões influenciam e irradiam por todo o interior de Minas e fora do estado. Sem a conquista de Belo Horizonte, Aécio terá futuro incerto em 2018 na eventual disputa pela candidatura a presidente da República. Os concorrentes tucanos paulistas irão lhe cobrar isso: ‘se não vence em casa, como vencer fora’. Com BH, passaria a ideia de que teria reconquistado Minas,

O prefeito Marcio Lacerda (PSB) vive situação semelhante. Tanto quanto ou mais que o aliado tucano, seu futuro político depende, umbilicalmente, do resultado das eleições de Belo Horizonte deste ano. Caso não faça esse dever de casa, não poderá pensar numa candidatura a senador ou governador em 2018. Em ambos os casos (de Aécio e Lacerda), há outra coincidência importante, além de, simplesmente, vencer: é manter o grupo unido e envolvido com as definições tomadas. Por isso, se não se tem um nome na cartola nem favoritismo, a solução tem que nascer do consenso e sem deixar ressentimentos, como aconteceu em 2014.

As primeiras conversas acontecerão no próximo mês e serão iniciadas entre os dois. Junto delas, as pesquisas qualitativas ajudarão a definir o perfil do candidato em consonância com as reivindicações do eleitorado. Nesse caso, é preciso haver afinidade entre a cidade e o nome a ser escolhido para garantir um mínimo de identidade.  
 
Quintão assume riscos

O deputado federal mineiro, Leonardo Quintão (PMDB), abriu mão de sua candidatura a líder do partido na Câmara dos Deputados em favor do concorrente, Leonardo Picciani, de olho em dois desdobramentos. Primeiro, na própria Câmara, ganharia com a ascensão de Picciani, que, além de líder apoiado pelo Palácio do Planalto, poderia assumir o lugar do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB), ameaçado de afastamento e cassação. O segundo poderia fortalecer o apoio de seu partido e dos aliados, entre eles o PT, para ser candidato a prefeito de Belo Horizonte.
 

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