Após levantar apenas R$ 300 mil de um orçamento estimado em R$ 1,8 milhão, e a menos de um mês do início da programação oficial, a Mostra de Cinema de Ouro Preto – CineOP corre o risco de não ser realizada neste ano. 

Um dos poucos festivais do país dedicado à temática da preservação e da educação, a CineOP foi atingida em cheio pela decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de não fazer aportes financeiros na área cultural.

Prevista para acontecer de 5 a 10 de junho, a 14ª edição do festival agora depende quase exclusivamente dos esforços da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, que se comprometeu a buscar os recursos necessários à realização.
 
O BNDES patrocinou a CineOP desde a primeira edição. Na edição de 2018, 40% dos recursos vieram do banco
 
“Essa semana será decisiva. Deixamos esse posicionamento bem claro para o secretário Marcelo Matte. Prontamente ele se comprometeu a mobilizar, tanto no âmbito estadual quanto federal”, registra Raquel Hallak, coordenadora-geral da Mostra.

Compasso de espera
Um dos canais de interlo-cução de Matte seria o ministro do Turismo, o mineiro Marcelo Álvaro Antônio, mas a solução também pode vir de estatais regionais. “Não sei quais empresas (apoiariam) e o valor, mas tenho que confiar”, salienta Raquel.

A confiança é tanta que ela não retrocedeu, até agora, em nenhum item da programação, mantendo o mesmo tamanho. Amanhã será anunciada a temática geral da CineOP, além do homenageado – o diretor baiano Edgard Navarro.

“Está tudo pronto, pensado há mais de seis meses. Não tem como voltar mais. A minha aflição é essa. Há dias que não consigo dormir. Disse ao secretário que não tenho de onde tirar (dinheiro). Meu único patrimônio é a minha casa”, confessa Raquel.

Em nota enviada ao Hoje em Dia, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo diz reconhecer “a importância da CineOP para o calendário do audiovisual e sua relevante contribuição para a difusão e reflexão acerca do cinema brasileiro e mineiro”. 

A nota lembra que a mostra está autorizada, pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, a captar R$ 750 mil junto ao mercado. Porém, “entendendo a dificuldade para a captação de recursos, em função da crise econômica que o país e Minas Gerais atravessam, bem como o curto tempo disponível para o início do festival, o secretário Marcelo Matte está empenhado em auxiliar os produtores na busca por patrocinadores”. 

Por fim, ressalta que a secretaria “também apresentou o projeto ao Comitê de Patrocínio, do Governo do Estado de Minas Gerais, e aguarda um posicionamento do mesmo sobre um possível apoio”.
 
edgard