Sepultura comemora 30 anos com show em Belo Horizonte

Hoje em Dia
11/12/2014 às 07:15.
Atualizado em 18/11/2021 às 05:20
 (Melissa humell/ Divulgação)

(Melissa humell/ Divulgação)

Em “Metrópolis”, clássico de 1927, os pobres são escravizados pelas máquinas e condenados a viver nos subsolos da sociedade. Maria, líder de uma revolução dos trabalhadores, diz que o mediador, entre a cabeça e as mãos, deve ser o coração. O questionamento presente no filme do austríaco Fritz Lang inspira o 13º álbum de estúdio do Sepultura. Já a frase dita pela protagonista – “The Mediator Between the Head and Hands Must be the Heart” – batiza o disco, lançado em outubro de 2013, e o show que chega a Belo Horizonte, berço da legendária banda de trash-metal.   Essa não é a primeira experiência do Sepultura em misturar música com cinema ou literatura. Em 2006, o grupo já havia lançado “Dante XXI”, baseado na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri.    Em 2009, foi a vez de “A-Lex”, inspirado em “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, e imortalizado, na telona, por Stanley Kubrick. Segundo Andreas Kisser, guitarrista e líder do grupo após a saída dos irmãos (Max e Igor) Cavalera, o disco se inspira nos ideais mostrados no citado filme. “A robotização de tudo nos inspirou a escrever. É um questionamento sobre ter opinião própria, poder criticar e não seguir modismos politicamente corretos”.   As composições de Kisser e Derrick Green incluem desde uma homenagem aos mais de 200 jovens mortos no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013; até a história de sangue e corrupção que moldou a igreja católica em “The Vatican”. Na versão brasileira do disco, há uma versão de “Da Lama ao Caos”, presente no primeiro álbum dos pilares do Manguebeat Chico Science & Nação Zumbi.    “Há tempos não fazíamos nada cantado em português. O Nação Zumbi sempre foi uma banda influente no trabalho do Sepultura, então, foi um desafio e uma experiência fantástica”, conta Andreas, que canta na canção enquanto Derrick assume a percussão.   O resultado do trabalho mostra a brutalidade sonora característica da banda sem deixar de lado a vontade de inovar e experimentar, e já é considerado pela crítica – e fãs – o melhor trabalho da banda desde a chegada de Derrick Green ao grupo, em 1998. O disco também acompanha uma nova etapa para a banda, prestes a completar 30 anos de carreira.    Sangue novo   Entre 2006 e 2011, Jean Dolabella foi o responsável pelas baquetas da banda após a saída de Igor Cavalera. Agora, é a vez de o prodígio Eloy Casagrande, de apenas 23 anos, ditar o ritmo e o peso para a guitarra e o contrabaixo do Sepultura. Para Kisser, tocar com alguém que tem exatamente a metade de sua idade só faz a responsabilidade pela energia dos shows aumentar.   “O Eloy tem a cabeça aberta, é profissional e dedicado, o que não poderia ser melhor para gente. Ele levou o Sepultura a buscar um outro nível”.   * Colaborou Danilo Viegas/Especial para o Hoje em Dia

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