“Se não lançarmos uma luz e dialogarmos sobre um assunto tabu–no caso o suicídio– não falaremos sobre a sua prevenção. Isso vale para todo e qualquer tópico tratado como tabu”, enfatiza o cineasta Hique Montanari, que lançou o filme “Yonlu”, baseado num caso real de suicídio ocorrido em 2006, assistido pela internet.
 
A produção se junta ao longa “Ferrugem”, recém-lançado nos cinemas e a uma mostra dedicada ao Setembro Amarelo (campanha de conscientização a prevenção do suicídio), com início amanhã no Cine Humberto Mauro, como opções de filmes em cartaz que tematizam um problema que vem matando 32 brasileiros por dia, segundo dados divulgados pelo site Setembro Amarelo.
 
Foi o lançamento, em 2009, do CD póstumo do jovem gaúcho Vinicius Gageiro (que adotou o nome artístico Yonlu), que pôs fim a sua vida aos 16 anos, que chamou a atenção de Montanari. “Quis revisitar a história, mas não a trama do suicídio em si e seu desenrolar, e sim investigar que garoto era aquele que estava tendo sua música valorizada no exterior como a de Mutantes, Tom Zé e Caetano Veloso”, registra.
 
Segundo o diretor, a recepção ao filme tem sido muito positiva, tanto por público e crítica quanto por pessoas ligadas à área de saúde mental. “Logo avalio que estamos cumprindo bem com duas questões que mais nos tocavam: a de prestar uma homenagem ao artista e seu legado e a de trazer os temas do suicídio e do uso indiscriminado e irresponsável da internet para reflexão”, analisa.
 
Montanari teve o cuidado de não demonizar a rede, partindo do pressuposto de que ela está acima do bem e do mal. “O que vem para reflexão é o seu uso indiscriminado por irresponsáveis anônimos que, aproveitando-se de pessoas fragilizadas, emitem os piores conselhos e dão um empurrão na hora que se faz necessário um abraço”.
 
Com entrada franca, a mostra terá sessões comentadas, palestras e o curso “Suicídio: conhecer para prevenir”
 
Um dos aspectos mais interessantes do filme é deixar claro o artifício da representação, ao exibir cenários e refletores. Também recorre à animação para tentar se aproximar ao que se passa na cabeça do protagonista. “Criamos camadas de tempos narrativos e de tratamentos estéticos, tudo indo de encontro ao propósito de fazermos uma imersão no universo único, contestador e angustiante do artista”, salienta o diretor.
 
Diversos olhares
Já a mostra “Setembro Amarelo” reuniu 22 longas de várias procedências e épocas. Entre os mais antigos estão o sueco “A Carruagem Fantasma” (1921), de Victor Sjöström, e o americano “A Felicidade Não se Compra” (1946), de Frank Capra e protagonizado por James Stewart. A programação completa pode ser acessada no site http://fcs.mg.gov.br