O mês de setembro adentra trazendo boas surpresas musicais para a terça-feira. Nesta terça-feira (1) e quarta, às 20h, o Teatro Bradesco recebe o projeto “Conexão Brasil”, com os cantores e compositores Marco André e Pepeu Gomes e o trio de percussão Manari.
 
Já a Sala Sergio Magnani da Fundação de Educação Artística acolhe, a partir das 20h30, o compositor e flautista Alexandre Andrés, dentro da série de shows “BDMG Instrumental’ – o músico foi um dos quatro vencedores da 15º edição, que aconteceu em maio. Para a apresentação de logo mais, Alexandre Andrés convoca, além dos músicos com os quais forma um quarteto, o pianista André Mehmari, para o qual não poupa elogios.
 
Apesar de já terem desenvolvido outros projetos anteriormente, é a primeira vez que sobem ao mesmo palco para um show torneado 100% pela música instrumental. “Tenho a felicidade de ter desenvolvido uma amizade com Mehmari desde 2008, quando a gente se conheceu”, rememora Andrés. À época citada, o flautista mineiro estava lançado “Agualuz”, que caiu no gosto do pianista – de tal forma que já foi participando no disco seguinte de Alexandre, “Macaxeira Fields”, prêmio de melhor CD de música brasileira no Japão, em 2013.
 
Desde então, os dois passaram a trocar figurinhas. Aliás, o próximo disco do flautista (EP ou CD cheio, ainda a definir) terá, mais uma vez, Mehmari. “Ele já gravou piano em algumas músicas, que vou mostrar neste show do BDMG”.
 
Sincronia
 
No repertório do “Conexão Brasil” estão diversas linguagens musicais do Pará (estado de origem de Marco André e do Manari) e da Bahia (de Pepeu). “A gente já tinha trabalhado junto e resolveu misturar tudo numa panela só, um palco só, em que todos estivessem juntos. Fazer um trabalho com uma pegada de cada”, contou, entre um voo e outro, André, lembrando que o encontro pode, sim, ter registro futuro em DVD.
 
André frisa que seu som tem muito a ver com o do Manari, bem como com o de Pepeu. “Ele traz uma característica muito interessante que é a pegada forte da latinidade. Nós, pela proximidade com o Caribe, também temos, então, as linguagens se somam e se aproximam muito a partir disso. Cada parte tem a sua maneira de tocar e compor, mas é fácil ficarmos sincronizados”.
 
Alexandre AndrésFudação de Educação Artística (Rua Gonçalves Dias, 320). Terça-feira (1), às 20h30. Acesso gratuito mediante retirada de convite 1h antes, na bilheteria. Classificação Livre
 
Conexão BrasilTeatro Bradesco (Rua da Bahia, 2.244). Terça-feira e quarta-feira, às 20h. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia)
 
 
MAIS SOBRE ALEXANDRE ANDRÉS
 
Alexandre Andrés está com a agenda cheia. "Posso dizer que esse mês é um dos mais incríveis dos últimos tempos, tanto pela intensidade de shows quanto por conta das pessoas com as quais vou tocar. Começo (setembro) com o pé direito, ao lado do meu quarteto e com o André Mehmari. Na quinta, me apresento com o Trio Amaranto, também pelo BDMG Cultural, mas no projeto 'Dois na Quinta'. Ou seja, são propostas distintas, o primeiro (desta terça-feira) é instrumental. O outro é também autoral, mas voltado mais para as canções, e com participação do Rafael Martini". Não fosse suficiente, no dia 23 ele se apresenta, no Museu Abílio Barreto, em show solo. "É um formato que estou experimentando. Na verdade, estou me apresentado em várias formações.. Nesse caso, seria voz, violão e efeitos, com projeções da Leonora Weissmann. E no dia 28, me apresento em São Paulo, mais uma vez com o quarteto e junto a André Mehmari, dentro ainda do prêmio BDMG de Música Instrumental, que firma parceria com o Sesc SP".

Achou que terminava por aí? "Bem, antes deste fecho com chave de ouro, no dia 24, me apresento no Cine Brasil Vallourec, no Projeto Meio de Campo, junto a Egberto Gismonti. O projeto traz artistas da cena brasileira, grandes ícones, sempre em parceria com artista da nova geração".

Nascido em uma família musical - o sobrenome "entrega", é filho de Artur Andrés, do Uakti, e de Regina Amaral, Alexandre sempre respirou arte. Atualmente com 25 anos, e já consagrado, ele se lembra do início, quando alguns colegas chegaram a brincar que iria morrer de fome ao fazer seu voto pela música. "Na verdade, desde pequeno eu vivo de música", diverte-se, acrescentando que, quando se tem potencial e persistência, além de muita dedicação, é possível, sim, ir paulatinamente alçando voos mais altos.

E estão aí os prêmios que lhe dão calço. O próprio BDMG Instrumental, Andrés já havia angariado em 2009. "Foi muito legal, um pontapé inicial. Tinha 18 anos", rememora ele, que, como os demais concorrentes, mostra temas da própria autoria junto a uma canção de outro compositor, que ganha novo arranjo. No caso das de sua lavra, opções não faltam. "Tenho muita coisa guardada, e sempre pego o violão para compor". Tanto que, em breve, ele adianta que vai sair um EP - "ou até mesmo um CD instrumental, já devo apresentar cinco novas no show desta terça".

E já que a conversa volta para o show na FEA, ele antecipa que vai mostrar dois temas de Mehmari. "E o Rafaeç Martini vai tocar um dele e um em parceria".

No show, além do já citado Martini (piano, teclado e acordeon), estarão Pedro Santana (baixo acústico) e Adriano Goyatá (bateria e glokenspiel). "A força da nossa performance tem a ver com a intimidade que a gente desenvolveu e, para essa apresentação, estamos convidado um dos maiores músicos da atualidade, do Brasil e do mundo", finaliza, mais uma vez referindo-se a Mehmari.

MAIS SOBRE O CONEXÃO
 
Considerado como um dos dez melhores guitarristas do mundo na categoria world music, Pepeu Gomes formou os Novos Baianos com Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Baby Consuelo, na década de 1970. Pepeu lançou 16 discos solo.

Natural de Belém (PA), Marco André lançou cinco álbuns, entre eles, "Olhar e Segredo", que contém "Meu Bem Meu Mal", música incluída na abertura da novela de mesmo nome da Rede Globo, e um DVD dirigido por Roberto Talma. Marco possui várias canções gravadas em coletâneas internacionais e por grandes nomes da MPB, sendo vencedor também de um prêmio TIM, atual Prêmio da Música Brasileira. "Nem Revi Nem Laite", "Beat Iú" e "Amazônia Groove", considerado um dos 10 melhores CDs na Europa na época de seu lançamento, são alguns dos seus trabalhos que receberam ótima acolhida da crítica especializada.

Os Manaris, trio formado por Kleber Benigno, Márcio Jardim e Nazaco Gomes, são percussionistas especializados nos ritmos amazônicos e importantes nomes da atual cena musical paraense.

Neste show, Pepeu Gomes tocará seus clássicos que vem desde os novos baianos até as músicas de sua carreira solo. Marco André mostrará músicas próprias como "Amazônia Groove", entre outras do repertório do "CaBloco Muderno". E o trio Manari apresentará canções de seu novo álbum, produzido por Marco André, com participações do cantor Pedro Luís, Gaby Amarantos, DJ Marcelinho da Lua e DJ Dolores.

O show vai seguir o formato de Pepeu Gomes, guitarra e voz; Marco André, guitarra, guitanjo e voz; Trio Manari, percussão e voz; Filipe Pascual, guitarra; e Didi Gomes, baixo. O Projeto Conexão Brasil, que desde o mês de julho passou por Belém, Salvador e Rio de Janeiro, chega agora a Belo Horizonte.

Em tempo: Na quinta-feira, dia 3, as três partes vão ao Distrital do Cruzeiro ministrar uma oficina, das 14h30 às 16h30. São 30 vagas, e as inscrições, gratuitas, pelo sympla.com.br. Informações: 3284-0709 ou facebook.com/ODistrital. De acordo com Nazaco, vai ser um bate-papo, uma troca de experiências, sobre a cultura da Amazônia, abordando a questão dos tambores, com destaque para a interação desses com a guitarra. "Quando a gente vai fazer algum espetáculo, sempre programa as oficinas também, e sempre vai tanto gente da área da guitarra quanto da percussão. E vai fluindo...", finaliza.