O rapper BNegão é o primeiro artista confirmado na 10ª edição do Festival de Arte Negra (FAN-BH), que este ano ocorre em mais de 20 espaços da capital mineira de 18 a 24 de novembro. O artista carioca traz a BH um repertório diferente das músicas com que o público se acostumou, desde os tempos de Planet Hemp, e canta composições de Dorival Caymmi no dia de encerramento do FAN.

Bnegão

BNegão é primeira atração confirmada em 24 de novembro, último dia da 10ª edição do FAN-BH

A programação completa do Festival de Arte Negra deve ser divulgada ainda esta semana. Todos os eventos terão entrada gratuita. Além das atrações culturais, o FAN também promoverá 13 atividades formativas que abordam temas como a história da África pré-colonial, a luta antirracista, dramaturgia, música, cinema, empreendedorismo negro, criatividade e moda. As inscrições para oficinas, cursos, aulas públicas e residência estão abertas até amanhã, também de forma gratuita, pelo site do festival.

Território Memória

Dedicado à valorização e à difusão da arte negra, englobando áreas da música, artes cênicas, cinema, moda, artes visuais, performance e literatura de matriz africana, o FAN foi realizado pela primeira vez em 1995 e desde sua segunda edição, em 2003, o evento passou a ser bienal. “Território Memória” é o nome deste ano, que será norteado inclusive pelo resgate das iniciativas realizadas ao longo desses 24 anos. Uma novidade é a inclusão da cultura indígena na programação, como no Seminário Jardins do Sagrado, que terá entre suas discussões a dificuldade de acesso à plantas por comunidades tradicionais indígenas e de terreiro.

Em 2017, o evento teve como tema a atuação das mulheres negras, enfoque que, de certa forma, reverbera este ano, com a homenagem à historiadora Maria Beatriz do Nascimento, que também era roteirista, professora, poeta e ativista pelos direitos humanos de negros e mulheres. “O FAN tratou um tema muito relevante das mulheres negras e trazemos uma continuidade da experiência dessas mulheres revolucionárias e como afetam toda a sociedade”, explica Aline Vila Real, uma das curadoras do evento este ano, ao lado de Grazi Medrado e Rosália Diogo. “Ela é uma inspiração para nós, trouxe uma noção muito grande de transmigração, diáspora, quilombo, organização das pessoas negras, nos ajudou a traduzir esses conceitos”.

Leia mais:

BNegão se aventura pelo canto de Dorival