Um mês antes de partir prematuramente deste plano, Vander Lee lotou o Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro, num show histórico de gravação do DVD que celebra os 20 anos de carreira. O cantor e compositor mineiro se foi, em agosto de 2016, mas sua obra segue pulsante. Para lançar o último registro audiovisual de Vander Lee e celebrar seu legado, os amigos e parceiros Zeca Baleiro e Maurício Tizumba sobem ao palco do Palácio das Artes neste domingo, numa apresentação especial.

No show, os dois artistas interpretam sucessos do mineiro, numa noite de homenagens que também terá a participação de Lucas Rasta, Clara e Laura Catarina, cantores e filhos de Vander Lee. “Participaremos de forma simbólica, mas o show é de Zeca e Tizumba, que eram próximos do meu pai. Os convidamos e deixamos que cada um deles escolhesse seu repertório”, afirma Laura Catarina.

Tizumba conta que escolheu músicas mais alegres, como “Neném”, “Estrela” e “Iluminado”. “Também vou fazer uma inédita, que se chama ‘Céu Azulou’. Uma música curtinha, cantiga de congado, quase um mantra”, afirma, reverenciando o amigo. “Conheci Vander Lee quando ele tinha uns 19 anos. Me impressionou como ele compunha rápido e com sensibilidade. Ele tem uma música que se chama ‘Contra o Tempo’, e parece mesmo que estava compondo contra o tempo, para deixar essa obra bonita”, reflete.

“Ele criava poesias lindas, com harmonias simples e melodias surpreendentes, que chegavam no coração das pessoas. Isso é muito raro”, completa Tizumba, lembrando que o mineiro foi gravado por nomes como Gal Costa, Maria Bethânia e Alcione.

Laura confirma que o pai, de fato, tinha uma produção intensa. “Ele dizia que compunha 100 músicas para gravar dez. E, realmente, existem muitas composições inéditas, que precisam ser organizadas”, revela. “É um legado que vai ficar para sempre. O jeito dele de contar histórias do dia a dia através da poesia era único”, corrobora o irmão, Lucas Rasta.

Sobre o show, Laura ressalta que é importante divulgar o último registro audiovisual de Vander Lee. “O DVD é um trabalho muito bem feito, com 20 faixas, making off e clipes. É importante perpetuar a obra e viabilizar o acesso das pessoas a esse material”, afirma. “Acho bonito como, que através da música, conseguimos sentir sua presença. Quando ouvimos sua voz, é como se ele estivesse aqui, do lado”.