“A união faz a força”, e, no caso de Flávio Venturini, Sá & Guarabyra e 14 Bis, a reunião é sinônimo de público cativo. É nessa onda que os artistas ingressam na turnê “Encontro Marcado”, que traz dois shows a Belo Horizonte, sábado e domingo, no Palácio das Artes. Se tudo correr como o planejado, a turnê pode gerar um CD e um DVD. Mesmo com o show repleto de hits, os artistas veteranos parecem ter gavetas cheias de novas canções.

Desde o início da semana, os músicos ensaiam na capital mineira, onde revivem melodias que embalaram as carreiras.

No palco, todos os sete, o tempo todo. “É um formato em que vão se alternando as músicas”, explica Flávio. “Só pode sair para fazer xixi”, pontua o bem-humorado Luis Carlos Sá.

E é verdade que há música inédita para celebrar a reunião? “Um encontro marcado num lugar esquecido...”, solfejou Sá, sobre um dos versos da canção comemorativa, ainda em fase de criação, e portanto fora das apresentações do fim de semana. “No decorrer da turnê, certamente, vamos fazê-la”.

Flávio Venturini diz que tentou concluir a música em Veneza, na Itália, onde estava em fevereiro, mas não conseguiu pois “não tinha instrumento”.

“Poxa, cara! Eu queria te telefonar...”, interrompe Sá, ao lembrar-se de outra música que está sem letra, de autoria dele, intitulada “Romance em Veneza”. Se telefonasse para o amigo, Sá daria a seguinte orientação: “Flávio, é agora! Vai para a Ponte dos Suspiros, espere passar uma gôndola e faça! (a letra)”.

As prediletas

Nesse embalo, cabe uma curiosidade: qual é a música preferida de cada um no repertório do amigo, mesmo que não esteja no set list do show?

Sá diz que a eleita dele, do 14 Bis, é “Natural”. “Quando ouvi a melodia, cheguei e disse que queria fazer a letra. Mas na segunda vez em que a escutei, já estava toda pronta”.

“O Tavinho Moura se antecipou”, lembra Flávio. “E é por isso que eu tenho esse ranço até hoje”, diz Sá, fazendo-se de indignado.

Para Cláudio Venturini, a composição feita pelo irmão mais velho, Flávio, de que ele mais gosta é “Todo Azul do Mar”. Clássico que será interpretado na turnê.

Já para Flávio Venturini, a mais querida do repertório de Sá & Guarabyra, ainda da época em que Zé Rodrix (1947-2009) tocava com eles, é “Hoje Ainda É Dia de Rock”, do próprio Rodrix.

“Eu tô doidim por uma viola/ Mãe e pai, de doze cordas e quatro cristais/ Pra eu poder tocar lá na cidade/ Mãe e pai, esse meu blues de Minas Gerais... Eu adorava a música”, lembra Flávio.

Rodrix In Memoriam

Esta será a terceira vez em que os artistas se reunirão. A primeira foi em 2008, ainda com Zé Rodrix; a segunda, em 2011, com shows pingados pelo país. Compositor, multi-instrumentista, arranjador, cantor, publicitário e escritor, Rodrix nunca é esquecido.

“Só eu e ele temos, pelo menos, dez músicas inéditas”, calcula Sá, por alto. “O único que não era dessa quadrilha aqui. Mas mesmo depois de sair da banda (Sá, Rodrix & Guarabyra), continuava amigo de todos. Ele deveria ser mais lembrado”.

Encontro Marcado no Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537). Sábado, às 21h, e domingo, às 19h. De R$ 120 a R$ 160