Zeca Baleiro puxou a fila, no último final de semana. O show do cantor maranhense, no Cine Theatro Brasil, foi o primeiro realizado de forma presencial em Belo Horizonte, após autorização da prefeitura para a reabertura das casas de espetáculos. Neste primeiro momento de liberação, com restrições, os principais equipamentos culturais da cidade já têm uma programação prevista para os próximos meses, mas os grandes nomes da música brasileira e internacional só subirão nos palcos da capital a partir de março de 2021.

A data tem como baliza a expectativa da disponibilização de uma vacina contra o coronavírus, o que possibilitaria rever os protocolos de segurança de BH, que hoje preveem apenas metade da ocupação do espaço. Para os produtores, essa limitação é sinônimo de prejuízo. 

O Grande Teatro do Palácio das Artes é um dos mais prejudicados. Com capacidade para 1.700 pessoas, o espaço esbarrou em outra limitação imposta pelo executivo municipal: o máximo de 600 espectadores por espetáculo.

Por este motivo, a maior parte das atrações de peso que estavam com vendas adiantadas de ingressos foi transferida para o próximo ano. 

“É uma forma de respeito ao consumidor que fez a compra e também de equilíbrio financeiro dos produtores, que só é alcançado, muitas vezes, a partir de mil lugares. No caso de uma redução, a conta não fecha”, registra Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado. Entre os shows que foram adiados, estão os de Richard Clayderman, Caetano Veloso, Djavan, Frejat e The Ten Tenors.

A expectativa de Eliane é que a PBH reveja esta limitação de 600 lugares em breve. Gestões já estão sendo feitas com o executivo. Outro fator que pesou na balança para uma agenda congestionada a partir de março é a questão das turnês,quando os artistas escolhem um período para fazer seguidas apresentações em várias localidades. “Como cada cidade está vivendo um processo diferente, os internacionais e alguns nacionais preferiram esperar. Uma atração internacional não virá mais de uma vez ao país”.

Metallica
A limitação também afeta um dos poucos lugares da capital apto a receber grandes espetáculos: o Mineirão, que pode usar tanto o interior do estádio como a sua esplanada, que possui 80 mil metros quadrados. Ambos podem receber acima de 25 mil espectadores. Um dos shows mais aguardados do ano, com os roqueiros do Metallica, estava marcado para 27 de abril no Gigante da Pampulha. A produtora Live Nation anunciou a data de 20 de dezembro, mas muito provavelmente será adiado mais uma vez.

Outro grande espaço para shows era o Km de Vantagens Hall, que podia receber até 3.700 pessoas. No último mês, porém, o Marista Centro-Norte anunciou o encerramento da parceria de oito anos com a Time Four Fun, que operacionalizava o espaço. De acordo com a assessoria do educandário, a casa de espetáculos ficará fechada, sem previsão de reabertura. O espaço também receberia os shows de Dire Straits Legacy, McFly e Orquestra Mineira de Rock.

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Cantor mineiro Lô Borges deverá se apresentar no Sesc Palladium, em abril

Restrições impõem reajustes nos valores

Eliane Parreiras observa que a limitação de 600 lugares provoca uma reformula-ção nos valores cobrados para cessão do espaço.

“Estamos finalizando agora, para publicação, por ser o Palácio das Artes um órgão público, quais serão as condições financeiras para a utilização dos espaços neste novo arranjo. Não posso manter os mesmos valores de locação se eu não consigo mais ofertar a mesma capacidade de ocupação”, destaca. Os demais espaços culturais também estão passando por reajustes.

Além de apresentar o primeiro show presencial, o Cine Brasil também já conta com uma agenda consolidada de shows. No próximo dia 27, a atração será Roberta Sá. Lenine já está confirmado para 26 de março. Em maio, será a vez de Manu Gavassi, no dia 22. O duo Anavitória tem apresentação em 17 e 18 de junho. “Estamos com muitas pré-reservas, mas vários ainda não fecharam, pois ficam na expectativa de quando tudo estará liberado”, assinala Sandra Campos, gerente de planejamento e ação cultural.

Como o Cine Brasil, o Sesc Palladium também agiu rápido e apresenta, neste domingo, o seu primeiro espetáculo musical: a Orquestra de Ouro Preto faz o début no espaço, às 11h, com um repertório extraído do álbum “Música de Cinema”. Não é, porém, a primeira orquestra a realizar uma apresentação ao vivo para o público. A Sala Minas Gerais já recebeu as apresentações da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, dentro do programa “Maratona Beethoven”, restritas aos assinantes da série.

“A Orquestra Ouro Preto não fazia um concerto presencial desde dezembro do ano passado. Então será um momento bastante especial para eles e para nós”, registra Priscilla D’Agostini, gerente do Sesc Palladium. A orquestra voltará ao palco do Palladium, em 13 de dezembro, com o repertório de “Latinidade”. Serão disponibilizados apenas 429 assentos do Grande Teatro (32% de sua lotação máxima).”Vamos começar com menos pessoas para trabalhar com maior segurança”, explica Priscilla.

Formato híbrido
Já o Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube está iniciando os trabalhos no formato híbrido, com disponibili-zação de 230 lugares (a capacidade total é de 612). No próximo dia 21, haverá live da cantora Coral. Em 9 de dezembro acontece o lançamento do disco “Mauricio Tizumba e Sérgio Pererê ao Vivo” . “Será um período de transição, para vermos a aceitação do público, a viabilidade com capacidade reduzida e qual será a possibilidade financeira disso para quem não tem patrocínio”, analisa André Rubião, diretor de Cultura do MTC.

Região Metropolitana

Nova Lima e Santa Luzia vivem situações opostas. Enquanto o Mix Garden, no Jardim Canadá, já tem programação musical entre 21 de novembro e 19 de dezembro, recheada de bambambãs do pagode e do samba, o Mega Space, palco de alguns dos maiores shows de Minas Gerais, ainda aguarda liberação da prefeitura de Santa Luzia para receber eventos de forma presencial - a única alternativa é o drive-in, com o público em carros, formato implantado em agosto e encerrado temporariamente no mês passado.

“Vamos reiniciar num novo formato, com mesas e lounges. Todo mundo ficará sentado, para não haver aglomeração”, salienta Claudia Verçoza, proprietária do Mix Garden. O “Vai Ter Samba” começará com o grupo Menos é Mais e receberá também Dilsinho (dia 28), Pixote (5 de dezembro), Turma do Pagode (7/12), Sorriso Maroto (12/12) e Belo (19/12). Os lounges serão vendidos para grupos fechados de oito pessoas. Não será permitida a circulação fora dos lounges, a não ser para ir ao banheiro.