Fã declarado dos faroestes italianos produzidos nas décadas de 60 e 70, Quentin Tarantino ofereceu mais munição, com seu novo filme, aos que preferem pistoleiros silenciosos, sujos e com barba por fazer aos caubóis “limpinhos” saídos de Hollywood.

“Essa é a maior divergência existente entre os fãs do gênero. É como um grande duelo, mas saudável”, destaca o cantor Edelzio Sanches, um dos maiores colecionadores de filmes de faroeste no país, criador do site “Bang Bang à Italiana no Brasil”, ponto de encontro do “western europeu”.

Lá, o internauta descobrirá que foram realizadas cerca de 800 produções que, aos olhos dos americanos, eram mera imitação do que se fazia no outro lado do Atlântico. Ex-metalúrgico, Edelzio coleciona mais de 3 mil DVDs, com filmes dublados em diversas línguas.
 
Legendas caseiras
 
Da correspondência com fãs do exterior, enviando fitas VHS em troca de DVDs de títulos inéditos no Brasil, o morador de Atibaia, em São Paulo, faz as legendas e as disponibiliza em seu site. Antes mesmo de “Os Oito Odiados” estrear, Edelzio já tinha dedicado uma semana na tradução das falas em inglês.

A sua paixão pelo gênero tem muito a ver com a sua profissão atual, já que, antes mesmo das imagens, ele já tinha contato com as trilhas sonoras dos faroestes italianos. Essa história começou em 1966, quando ouviu pela primeira vez, no rádio, a música de “O Bom, o Mau e o Feio”.

O gênero desapareceu no final dos anos 70, mas um programa da Rede Record, no início da década de 80, se tornou referência para toda uma geração, ao exibir os antigos bangue-bangues na TV. “Virou uma confraria, com gente de todo o Brasil trocando ideias”.

Em Belo Horizonte, um desses ávidos por duelos é Marcos Lima. Assim como Edelzio, que entrevistou a italiana Nicoletta Machiavelliele pouco antes de ela falecer, no ano passado, Marcos mantém contato com vários atores do faroeste, como Robert Woods, George Hilton, Brett Halsey e de Tomas Milian.

“Meu filho iria se chamar Tony Anthony (de ‘O Justiceiro Cego’), mas o cartório não aceitou, alegando que Tony é diminutivo de Anthony. Eu teria que escolher Tony ou Anthony. Fiquei com o segundo. Depois descobri que o ator se chamava, na verdade, Roger Petitto”, diverte-se.
 
Qual era o nome?
 
Com mais de 500 DVDs em sua casa, no Parque Copacabana, Marcos salienta que, apesar de as produções serem raras hoje em dia, o western é um gênero que não morre “de jeito nenhum”. O site de Edelzio (bangbangitaliana.blogspot.com.br/2013/11/) é uma boa prova: diariamente, recebe 400 visitas, em média. “Muitos detalham alguma cena a que assistiram, no passado, para que eu possa identificar os filmes. E até hoje, consegui identificar todos”, comemora o especialista.