A mistura de ritmos latinos e o som pesado de influências do punk, do rock e de músicas eletrônicas estabelece a melodia da banda Francisco, el hombre, que lança o disco “Rasgacabeza” em um show de mais de duas horas, que promete colocar os belo-horizontinos para dançar amanhã à noite, no Mercado Distrital do Cruzeiro.

Essa é a recomendação do baixista e vocal de apoio da banda, Rafael Gomes. “É para o público ir com uma roupa bastante confortável, para dançar muito, para que a entrega seja coletiva, assim como a catarse. É para todo mundo suar um monte”, brinca.

O quinteto é formado ainda por Juliana Strassacapa e Andrei Martinez, além dos irmãos mexicanos Sebastián e Mateo Piracés-Uriarte. A banda apresentará um repertório que inclui canções de trabalhos anteriores, atualizados à pegada mais agressiva do novo álbum. Entre eles, “Triste, Louca ou Má”, sucesso que aborda a questão de uma mulher não precisar de aprovação externa para definir a própria identidade, embalado por um ritmo mais cadenciado do que o estilo predominante nas demais músicas. O hit rendeu ao grupo uma indicação ao Grammy Latino e virou tema da novela da Globo “Do Outro lado da Vida”, no ano passado.

“Foi uma boa oportunidade de alcançar pessoas fora do nosso nicho, ampliar nossa fala, já que sempre encaramos a música como ferramenta de criar diálogo”, explica Gomes. 

INSPIRAÇÃO
É justamente esse o propósito do conjunto desde a formação, o que influenciou na própria escolha do nome. Francisco, el hombre era personagem do aclamado “Cem anos de solidão”, do colombiano Gabriel Garcia Marquez. “O Sebastián estava lendo o livro durante um mochilão e daí surgiu a ideia”, conta o baixista. “Francisco, el hombre era um cancioneiro que levava notícias de um lugar ao outro por meio da música, e após pesquisarmos mais descobrimos ter sido um personagem real”.

As letras vão desde críticas sociais e políticas a canções românticas. No “Rasgacabeza” vão ao encontro da ideia que batiza o álbum com ideia que partiu da vocalista e percussionista Juliana Strassacapa, segundo Rafael Gomes. “Ela pesquisou o significado do sobrenome dela, de origem italiana, e viu o sentido de rasgar a cabeça, abrir a compreensão, então queremos usar palavras afiadas não para estabelecer conclusões, e sim para expandir o debate”.

Não é a primeira vez que eles se apresentam em BH. Em uma delas, também foram antecedidos pelo belorizontinos da Orquestra Atípica de Lhamas, que novamente abrirá o show.