Em um momento em que o dólar está alto e a recessão toma conta do país, uma modalidade de eventos está em franca ascensão em Belo Horizonte. Trata-se dos workshops de artistas internacionais e renomados, que atraem músicos e fãs ansiosos por terem contato próximo com alguém de referência no mercado.
 
Nos últimos meses, Belo Horizonte recebeu vários bateristas famosos, como Dave Lombardo (Slayer), Dave Weckl (jazz) e Vinny Appice (ex-Black Sabbath). Na terça-feira será a vez do guitarrista Steve Vai realizar um workshop no Cine Theatro Brasil, contando um pouco sobre sua trajetória, técnicas e macetes para fãs e músicos. Será um dos dez workshops que ele vai fazer no Brasil.
 
Quem percebeu que esse era um mercado que merecia investimento é André Bastos, produtor e baterista da banda Pleiades. Foi ele quem conseguiu viabilizar o workshop que Chad Smith, baterista do Red Hot Chilli Peppers, realizou na capital – o único feito por ele em toda América Latina. 
 
“Nos dois últimos anos, veio muita gente interessante para cá”, afirma Bastos, que está planejando trazer Ron “Bumblefoot” Thal (ex-Guns n’ Roses) para BH. “Vale muito a pena para o artista. O Brasil é muito grande e há muitas possibilidades. O custo da passagem é dividido entre os produtores de cada cidade e fica tudo mais acessível para todos”.
 
Bom para todos
Com esse formato, todos saem ganhando: o artista não precisa viajar com banda, técnicos e parafernália; o produtor diminui os riscos por não precisar buscar grandes estruturas; e o público tem a chance de ver os ídolos de pertinho, em um formato mais intimista. Poderia ser uma boa oportunidade para patrocinadores também, mas, segundo Bastos, são poucas empresas que abriram os olhos para a oportunidade.
 
O espaço também ganha, segundo Leo Moraes, sócio-proprietário d’A Autêntica, que recebeu dois eventos como esse. “Nós queremos que os artistas conheçam e se interessem pela casa”, diz ele, acrescentando que antigamente os workshops aconteciam em lugares inadequados, como lojas de instrumentos. “É diferente quando vemos o artista no palco”. 
 
Vale a pena
Eduardo Correa, um profissional do setor hoteleiro que decidiu voltar a estudar bateria, foi a alguns desses workshops. Ele garante que vale a pena. “É muito interessante ver o artista de perto e poder fazer perguntas a ele. Dá para aprender bem porque eles contam como desenvolveram suas técnicas”.
 
Baterista das bandas Riviera e Aunora, Túlio Braga garante que vale o investimento. “Normalmente, as filmagens são proibidas nesse tipo de evento. Então apenas quem foi pode ter um conteúdo exclusivo sobre o artista”. 
 
Steve Vai chega a Belo Horizonte no momento em que lança o DVD “Stillness in Motion” (Sony), gravado em Los Angeles, em 2012.
O workshop acontece nesta terça-feira, às 20h, no Cine Theatro Brasil (Praça 7), com ingressos a R$ 200 e R$ 100 (meia-entrada). O “Meet and Greet” (encontro com o artista) sai por R$ 250.