Em 2010, o Pato Fu lançou um álbum que marcaria sua história para sempre. Trazendo clássicos da música brasileira e internacional, repaginados em arranjos com instrumentos curiosos, “Música de Brinquedo” foi unanimidade entre adultos e crianças. O disco migrou para os palcos e o show tornou-se espetáculo fixo do repertório ao vivo da banda mineira. Sete anos de estrada depois, o Pato Fu dá cria ao segundo volume do trabalho, que será lançado hoje, nas plataformas digitais, e a partir do dia 11 de setembro, nas lojas.

Produzido pelo guitarrista John Ulhoa e gravado no estúdio 128 Japs, em Belo Horizonte, “Músicas de Brinquedo 2” traz 11 faixas, que passeiam por estilos e nacionalidades. O repertório vai de Gilberto Gil (“Palco”) a The Police (“Every Breath You Take”); de Raimundos (“I Saw You Saying”) a Rick Martin (“Livin La Vida Loca”), passando por Rita Lee (“Mamãe Natureza”) , Genival Lacerda (“Severina Xique Xique”), Leo Jaime (“Rock da Cachorra”) e B-52s (“Private Idaho”).

Para John, a escolha do repertório foi a parte mais difícil do processo. “Em primeiro lugar, tem que ser um clássico, porque a graça é pegar arranjos famosos e transpor para os instrumentos de brinquedo. Como a ideia também é apresentar músicas para o público jovem, não tem a ver gravar sucessos recentes, gravar um Ed Sheeran”, reflete. “Nesse disco, a música mais nova é a do Raimundos, que são contemporâneos nossos. Ela começa com aquele solinho de guitarrra que você ouve e já imagina sendo feito por algum instrumento de brinquedo”, completa.

Fernanda Takai ressalta que não se trata de um álbum infantil – mas de músicas adultas, com novas roupagens. “É um disco para fãs de Pato Fu, de todas as idades. Por terem esse approach do brinquedo, as músicas exigem ainda mais perícia. De longe, pode parecer facinho, mas não é”, diz a vocalista. “Serem músicas adultas é outra condicionante. Claro que não num nível muito sério, tipo um Joy Division”, brinca John.

A instrumentação inusitada é um dos grandes baratos do trabalho, que traz galinhas de plástico, saxofones, pianinhos de brinquedo, kazoos (instrumento de sopro) e tecladinhos de R$ 1,99. “Cada instrumento exige uma técnica. Têm uns que vêm na escala, outros não. A gente ri bastante no processo. Não pode ter vergonha de errar e gravar, tem que aceitar a dificuldade”, diz Takai. 

Para a vocalista, a música mais interessante de cantar foi “Kid Cavaquinho” (João Bosco/Aldir Blac). “Tentei manter a divisão original da versão da Maria Alcina. É bem fora da minha praia, difícil de cantar e o resultado foi dos que mais me surpreendeu”. 

John ressalta que outra novidade são as crianças no álbum. “No primeiro, eram apenas três. A Nina (filha do casal), a Marina e o Mateus. Agora, eles cresceram, as vozes mudaram. Então, chamamos nove crianças para gravar os coros, que são filhos e filhas de integrantes do primeiro fã-clube do Pato Fu em BH”, conta. “É legal pensar que muita gente cresceu ouvindo o primeiro disco, e que isso agora se renova nesse segundo volume”, conclui.