Embora a disputa pelo Trono de Ferro ainda não tenha chegado ao fim – os seis capítulos que fecham a saga de “Game Of Thrones” começam a ser exibidos a partir deste domingo na HBO – não é exagero dizer que a série é uma das mais grandiosas da história de televisão mundial.

Uma das provas dessa grandiosidade é a resposta positiva da crítica especializada à produção. Somente no Emmy, premiação mais importante da TV, “Game Of Thrones” ou GoT, já conquistou 38 troféus, número não alcançado por nenhuma outra produção na história. A quantidade pode aumentar ainda mais com a conclusão da série, já que a expectativa é de que a oitava temporada repita o sucesso das anteriores e também leve troféus importantes para casa.

Mas o que justifica todo esse reconhecimento? Para Michel Arouca, editor-chefe do site Série Maníacos, a história inspirada nos livros “Crônicas de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin é uma das respostas. “A saga criada por ele é brilhante. É um universo muito rico e uma produção feita por pessoas que realmente amam a história”, diz ele, referindo-se aos produtores David Benioff e D. B. Weiss, criadores da série de TV.

Com um roteiro de qualidade e criadores apaixonados, outro fator que contribui para o êxito de “Game Of Thrones” são as altas cifras investidas: a estimativa é a de que foram gastos cerca de U$ 15 milhões por episódio da oitava temporada. “É uma série de TV mais grandiosa que diversos filmes de Hollywood”, observa Arouca.

O alto investimento permite que a produção seja ambiciosa, com locações espalhadas por nove países diferentes – dentre eles Espanha, Croácia e Escócia.

“A forma mais crível de ter esse universo medieval fantástico é realmente filmando no local e não apenas dependendo do fundo verde. Existe aí uma dedicação muito grande para eles terem um valor de produção único na televisão hoje em dia”, sublinha Arouca.

Mas de nada adiantaria a qualidade elevada se não houvesse a resposta positiva do público e é justamente nisso que está outro grande trunfo de “Game Of Thrones”.

“É uma série que consegue um sucesso absurdo não só quando é exibida, mas também gerando teorias, discussões e conversas fora das temporadas”, pontua o jornalista mineiro Rodrigo Castro, do canal do YouTube MIXIDO, dedicado a críticas de filmes e séries.

Prova da comoção causada pela série da HBO é o próprio comportamento do público diante de conteúdos relacionados à série. Exemplo recente disso foi uma ação que espalhou réplicas do Trono de Ferro em seis lugares do mundo. O resultado foi uma peregrinação de pessoas a esses locais “sagrados”.

Fãs esperam por surpresas e reviravoltas no desfecho de ‘GoT’

“Torcendo pelo melhor e esperando pelo pior”. É assim que o publicitário Carlúcio Vieira se prepara para a temporada final de “Game Of Thrones”. Fã da produção da HBO, ele confessa que espera derramar algumas lágrimas com o desfecho da história. “Por mais que eu deseje um final feliz, acredito que muitos dos meus personagens favoritos não cheguem ao fim da série”, diz.

Embora a expectativa soe pouco esperançosa, ela não é de se estranhar, já que, quando o assunto é “Game Of Thrones”, não dá mesmo para fazer muitas previsões e, menos ainda, se apegar a determinados personagens. Esse recado, inclusive, foi dado logo de cara, quando o personagem Ned Stark, que despontava como um dos protagonistas e queridinhos do público, foi decapitado logo nos primeiros episódios da série, ainda em 2011, ano do lançamento da megaprodução.

Mas se a morte de um personagem popular pode parecer um problema para algumas pessoas, para o público de “Game Of Thrones” essa não é uma questão. É, inclusive, ao fator surpresa que muitos dos espectadores creditam a força da série.

Caso do músico Victor de Souza, de 28 anos. Fã de universos semelhantes ao de “Game Of Thrones”, ele conta que começou a ver a produção por indicação de amigos e continuou a assistir justamente pelo fator inesperado dos acontecimentos. “A morte do Ned Stark foi incrível, porque parecia que ele seria o principal”, lembra o músico.

E se foram os rumos surpreendentes da história que fizeram com que ele virasse um espectador fiel, é também nessa característica que ele deposita esperanças para os seis últimos episódios da série.

“A última temporada me decepcionou muito. O imprevisível quase não existiu. Os roteiristas foram muito conservadores. Eu espero que a nova temporada volte a me surpreender”, torce o fã.

Além disso

Quem pensa que o “Game Of Thrones” rende apenas conteúdo audiovisual está enganado. Além das milhares de teorias que povoam a web, a série também inspira conteúdos musicais e de áudio. Para se ter uma ideia do sucesso de conteúdos extras, fãs gastaram 1,8 milhão de horas somente no Spotify ouvindo podcasts que têm a produção como tema. A admiração pelos personagens também movimenta os fãs na plataforma. De acordo com informações do serviço de streaming, o Brasil é o sexto país que mais escuta músicas da trilha sonora de “GoT”. Além do conteúdo oficial, há playlists inspiradas nos vários personagens da série, acessadas ou criadas por cerca de 250 mil usuários no Spotify. O personagem mais inspirador é Tyrion Lannister.

Assista ao trailer da oitava temporada: