A produtora de eventos Rizza deixou a capital mineira há 14 anos para viver na frenética São Paulo, onde deu o start na carreira fotográfica para depois se enveredar na arte contemporânea. A belo-horizontina já expôs em Londres, Milão, Roma e Miami e ainda não havia apresentado o próprio trabalho por aqui, mas agora é parte do seleto grupo que integra mostra coletiva lançada recentemente na PS Galeria, na Savassi.

Por meio da manipulação de luz e sombra, a artista visual – porque, depois da fotografia, vieram esculturas e instalações – criou imagens tridimensionais de encher os olhos e provocar os pensamentos. “Trago para BH nove imagens que refletem esse meu trabalho com claro e escuro. Não queria simplesmente registrar momentos, mas criar coisas que não existiam. E é isso que está exposto”.

Rizza

RIZZA – Belo-horizontina brinca com a iluminação em suas criações fotográficas


Ir também além dos cliques comuns foi a proposta do fotógrafo carioca Beto Gatti, que destacou 16 obras da própria trajetória para apresentar aos mineiros. Ele iniciou o trabalho por detrás das câmeras tão logo a marca própria de moda naufragar, há oito anos. “Foi para sair dessa situação que me tornei fotógrafo de moda, profissão com a qual viajei o mundo. Mas eu não conseguia encontrar a minha identidade, porque tenho o que chamo de ‘ansiedade criativa’. Acabei me encontrando na arte contemporânea”.

Beto Gatti

BETO GATTI – Fotógrafo carioca se encontrou na arte contemporânea após período clicando editoriais de moda


Aos 30 e poucos anos, ambos participam do processo de renovação pelo qual o Brasil vem passando no setor. E a curadoria da exposição “Arte em Movimento II” teve o intuito de difundir isso. “Convidamos quatro artistas, os quais as criações não têm conexão entre si, a não ser esta de um novo vigor das artes. A ideia foi trazer algo bem inovador, para revelar aos mineiros que há algo acontecendo aqui e fora daqui”, observou um dos curadores, o jovem Pedro Pimenta da Veiga.

Homenagens

Além de expressar os próprios anseios e os espaços em que habitam, os incômodos sentidos em relação à sociedade também movem esses talentos criativos, como o belo-horizontino Humberto Hermeto.

Arquiteto e artista plástico, ele expõe telas abstratas, pintadas em óleo sobre tela. Mas Hermeto não se prende a apenas a uma técnica. Coloca para fora seus pensamentos de forma aleatória quando sente necessidade. “Trabalho muito sobre coisas que leio. As impressões que tenho, transformo em poesia com tinta e carvão, retratos com pregos, etc. Gosto de homenagear artistas, como fiz nesta série sobre ‘100 anos de solidão’ (obra de Gabriel García Márquez)”, contou.

Humberto Hermeto

HUMBERTO HERMETO – Artista de BH expressa suas impressões sobre livros e música em telas e outros materiais


Saudar um outro artista também foi a intenção de Daniel Tavares, mineiro de João Pinheiro, cidade do interior do Estado. Ele, que já expôs mais de uma centena de vezes na Itália, em Portugal, Genebra e Nova York, apresenta obras inspiradas em Basquiat. “Tenho para mim que Jean-Michel Basquiat, mesmo tendo morrido aos 27 anos, mudou o mercado de arte contemporânea. Vi o trabalho dele em 1997 e criei uma série com 31 quadros, da qual 12 estão nesta galeria”, avalia.

Daniel Tavares

DANIEL TAVARES – Artista do interior de Minas homenageia o nova-iorquino Basquiat


SERVIÇO:
Exposição “Arte em Movimento II”
Aberta até meados de janeiro na PS Galeria (r. Antônio de Albuquerque, nº 911 – bairro Funcionários)
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, de 10h às 19h. Aos sábados, de 10h às 15h