O teatro Klauss Vianna não será demolido no dia 1° de julho, conforme havia anunciado o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O secretário de Estado de Cultura, Ângelo Oswaldo, explicou na manhã desta quarta-feira (10), na Assembleia Legislativa, que o presidente do TJMG, Pedro Bittencourt, decidiu manter a casa de espetáculos onde funciona hoje, na avenida Afonso Pena, 4001, dentro do prédio que pertence ao Tribunal.

Como o Hoje em Dia informou na última quinta-feira (4), a solução será a construção de um anexo para ampliar a estrutura do Judiciário. A decisão definitiva, no entanto, só sairá em agosto. De acordo com o secretario, "a decisão do presidente do TJ sera levada ao tribunal pleno em agosto, quando 120 desembargadores irão apreciá-la".

O líder do Governo na ALMG, deputado Durval Ângelo (PT), esclareceu que a suspensão da demolição do teatro não significa que as obras no prédio não serão iniciadas. No entanto, a obra, que seria começaria pelo térreo com a demolição do teatro, será realizada em outras áreas. Além disso, durante os dois anos de previsão da reforma, as atividades do Klauss Vianna vão acontecer normalmente. Ele disse ainda acreditar que os desembargadores votarão a favor da manutenção do teatro.

Para o secretário de Cultura, a decisão de manutenção do teatro representa um momento único de integração dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em defesa da cultura. Ele destacou que Minas Gerais é um polo de dança com relevância no cenário nacional e internacional. Essa integração dos Poderes também foi destacada pelo presidente da ALMG, deputado Adalclever Lopes (PMDB). Ele enalteceu que o diálogo e a mobilização foram fundamentais para o encaminhamento de soluções para garantir a continuidade do funcionamento do Klauss Vianna.

O presidente da Comissão de Cultura, deputado Bosco (PTdoB), lembrou da importância dos debates realizados com a participação da classe artística na ALMG e na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Apenas na Assembleia foram realizadas duas audiências com o intuito de debater e buscar soluções para o impasse. Logo após a entrevista coletiva, as Comissões de Direitos Humanos e de Cultura se reuniram com representantes da classe artística para avaliar a decisão que vai permitir a continuidade do funcionamento do Klauss Vianna.

Histórico

O Teatro Klauss Vianna integrava o centro cultural Oi Futuro, em Belo Horizonte. Sua manutenção foi acordada desde a privatização da Telemig, antiga empresa estatal de telefonia, nos anos 1990. Há dois anos, porém, por um acordo entre o Governo do Estado e o TJMG, o imóvel foi declarado de utilidade pública e desapropriado em favor do Tribunal. O TJMG havia anunciado o fim das atividades do teatro tendo em vista a necessidade de reformas no prédio.