Quando compôs a versão operística de “Romeu e Julieta”, Charles-François Gounod (1818–1893) teria dito que sentia os personagens tão próximos que pareciam ser reais. O relato do compositor francês não é incomum.

William Shakespeare (1564–1616) tinha o dom de atingir a alma humana através de suas obras. Para a sorte dos espectadores, mais uma vez, o dramaturgo poderá despertar tal sensação por meio da ópera que estreia no Grande Teatro do Palácio das Artes na próxima quinta-feira, dentro da programação dos 400 anos de morte do escritor inglês.

Com libretos de Jules Barbier e Michel Carré, esta será a primeira vez que a versão de “Romeu e Julieta” do francês Gounod será executada na Fundação Clóvis Salgado (FCS).

A obra marca ainda a estreia em solo brasileiro do diretor cênico argentino Pablo Maritano. “Encontrei uma equipe muito boa de trabalho, não somente da cenografia e figurino, mas também dos corpos do teatro”, elogia o diretor, ao se referir à Cia de Dança Palácio das Artes, à Orquestra Sinfônica (OSMG) e ao Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG), que fazem parte da montagem.

Doze solistas completam a produção, com destaque para a argentina Oriana Favaro, que fará Julieta, e os brasileiros Giovanni Tristacci e Paulo Szot, nos papéis de Romeu e Mercucio, respectivamente. A regência é do maestro titular da OSMG, Silvio Viegas.

Para Tristacci, interpretar um personagem de Shakespeare tem sido desafiante, principalmente por estar tão vivo no imaginário coletivo. “Por um lado, isso é bom porque é possível extrapolar o conceito que as pessoas têm da obra. Apesar da tentação do clichê, quanto mais complexa é a obra, mais possibilidade de explorar ao máximo todas as facetas que a partitura permite”, completa. 

“Interpretar Julieta é tentar dar vida a partir de toda essa informação (construída por Shakespeare e Gounod). É fazer com que ela viva novamente”, diz, por sua vez, Oriana.

O espetáculo
Ambientada em Verona, na Itália, a trama retrata a paixão proibida entre dois jovens de famílias rivais. Apesar do amor que os une, os protagonistas têm posturas bem diferentes. Enquanto Romeu é um sonhador, na definição de Maritano, Julieta é uma mulher corajosa, jogando por terra a concepção de mocinha inocente. 

“Ela leva adiante as decisões mais importantes da ópera; tão resolvida que, por vezes, é rebelde. Uma personagem viva, que é preciso dar-lhe o fogo necessário para que não arda pouco e tampouco se consuma em um instante”, considera Oriana. 

Tanta obstinação acaba culminando em morte. E é justamente este lado trágico que estará mais em voga no palco do Palácio das Artes. “O casal está procurando por sua identidade e está fascinado com a ideia de morte, que é próprio do movimento romântico. Além disso, eles não se encaixam na sociedade. É por isso que se encontram”, ressalta o diretor. 

Novidade
Também tendo como pano de fundo a história de “Romeu e Julieta”, a FCS realiza o primeiro Ciclo de Palestras do Núcleo de Ópera e do Cefart. Os interessados em participar podem se inscrever gratuitamente pelo site fcs.mg.gov.br. Entre as atividades, o participante poderá fazer visita guiada ao palco da montagem e assistir ao ensaio geral da ópera de Gounod.

Serviço:

Ópera “Romeu e Julieta”, no Palácio das Artes, nos dias 19, 21, 23 e 27/5, às 20h, e 29/5, às 19h. Ingresso: R$60 e R$30 (meia)