Para seriados e filmes, basta acessar o Netflix. Para ouvir músicas (muitas músicas) sem ter que se preocupar em comprar discos ou baixar arquivos, é só clicar no Spotify, Deezer, Google Play. Para isso tudo e mais um pouco, há sempre o Youtube. Ou seja, o consumo de conteúdos transmitidos via streaming cresce em velocidade galopante e a tendência desse mercado é continuar em plena expansão, ao menos até 2020, especialmente por conta da ampliação do uso de smartphones.

Uma boa mostra da expansão desse mercado é a empresa ONErpm, líder em distribuição de música digital no país – é ela quem faz a ponte entre os artistas e gravadoras e os aplicativos que tocam música por streaming. A empresa foi criada em 2010 pelo norte-americano Emmanuel Zunz, que teve foco sobre o mercado brasileiro. Hoje trabalha com 27 mil artistas (de independentes a famosos, como Claudia Leitte) e mais de 300 gravadoras em cinco países.

De acordo com o representante da empresa no Brasil, Arthur Fitzgibbon, a empresa começou com um pequeno escritório em São Paulo e hoje conta com 30 funcionários, divididos em duas unidades. Segundo ele, houve um crescimento de 500% do faturamento em um ano, se comparados os primeiros trimestres de 2014 e 2015. O segredo desse sucesso está em oferecer um serviço amplo, que vai além da simples distribuição da música no universo digital.

Suporte

“Somos a única distribuidora no Brasil que oferece apoio de marketing e sugestão de destaques para qualquer lançamento. Também somos a única empresa no mundo que faz a integração gratuita com as principais plataformas de streaming atuantes no país. Temos ferramentas como analíticos diários, relatórios online e pagamentos diários”, explica Fitzgibbon.

Acesso a serviço amplo a um custo baixo por assinatura ajuda a reduzir a pirataria

Um grande impacto que o streaming trouxe para o mercado foi a diminuição da pirataria. Afinal, os usuários têm acesso a uma infinidade de conteúdos e pagam pequenos valores de assinaturas pelos serviços – em alguns casos, é a publicidade quem garante a receita, como no Youtube. E os artistas, por outro lado, recebem direitos autorais de maneira muito mais eficiente.

Infinitas possibilidades

São várias empresas no mercado que oferecem os serviços e, para se destacar, vale o foco em uma área. O Deezer, por exemplo, enfoca apenas o áudio, não apenas de músicas. “No Brasil, já oferecemos podcasts, um conteúdo de qualidade bastante diverso, capaz de agradar os mais diferentes segmentos. Na Europa, a Deezer já oferece streaming de jogos de futebol e audiobooks”, afirma Mathieu Le Roux, diretor da Deezer para América Latina.

Segundo ele, o usuário brasileiro tende a buscar por conteúdos locais e há sempre um levantamento de quais são os artistas mais ouvidos na plataforma. “No Brasil, por exemplo, temos uma editora, cujo trabalho é identificar promessas. Sertanejo, naturalmente, é o gênero mais popular no país. Entre os artistas que dominam nossos charts brasileiros estão Henrique & Juliano, Jorge & Mateus, Marcos & Belutti, entre outros. Você pode acompanhar a popularidade de artistas, discos e músicas, em tempo real”, explica.

Sistema de transmissão multimídia trouxe mudanças para a política de direitos autorais

De acordo com Carlos d’Andrea, professor do Departamento de Comunicação da UFMG, a tecnologia do streaming trouxe uma grande mudança para a indústria do copyright – ou seja, de tudo que envolve direitos autorais. Isso porque a popularização do download de conteúdos, a partir da virada do século, trouxe crises imensas para artistas ligados às indústrias da música e do cinema, especialmente.

“No caso da música, o impacto havia sido ainda maior do que o sofrido pela indústria audiovisual, na medida em que a experiência de ir ao cinema foi mais preservada do que a cultura de se consumir discos”, explica o professor. “O streaming se tornou uma opção interessante para os usuários porque os custos dos serviços não são muito altos e não vale a pena mais baixar conteúdos para computadores e celulares. Baixar discos no celular é algo que ocupa espaço (no banco de dados) e dá trabalho”.

O lucro dos intermediários

Ele destaca que, porém, os artistas não estão completamente satisfeitos com o trabalho oferecido, especialmente porque voltaram a lidar com intermediadores que ficam com boa parte do dinheiro envolvido – agora, entre o artista e o consumidor, estão plataformas/aplicativos, distribuidoras e gravadoras/selos. “Por isso que o Jay Z criou um novo serviço de streaming, prometendo um pagamento com menos intermediários”, lembra Carlos sobre Tidal, a plataforma criada pelo rapper.

Mais do que a possibilidade de receber dinheiro em troca de conteúdo, as empresas ligadas ao conteúdo digital também detém um grande poder de informação, já que é possível levantar dados específicos sobre os consumidores. “Essas informações em grande escala valem muito dinheiro. É possível reconhecer o perfil do consumidor de maneira muito específica. Mas isso ainda é muito insipiente, é algo que não conseguimos analisar de maneira ampla ainda”, diz Carlos.

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