A política permeia a edição da “Quarta Queer”, mostra permanente de arte que ocupa o Teatro Francisco Nunes nesta quarta-feira (29) e coloca em debate as conexões entre os corpos LGBTs e o cenário de um Brasil próximo às eleições. Igor Leal, um dos organizadores da mostra, pontua a importância da discussão, ressaltando o significado do corpo queer. “Estamos em um país que extermina a população LGBT e isso cai diretamente sobre a materialidade desses corpos. O poder está neles e a resistência também, já que estamos vendo o aumento de um discurso de ódio que se configura até mesmo em candidaturas”, observa Leal.

Nessa seara, um dos destaques da programação fica por conta da roda de conversa “Queerizando espaços, queerizando a Política”, que, dentre os participantes traz Keila Simpson, presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). “Ela vai dialogar muito sobre o contexto político que estamos e como devemos combater esses discursos de ódio”, adianta Leal. 

Outra pauta que marca a programação é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, comemorado hoje. “Teremos esse recorte na programação, com shows das bandas Dolores 202 e Mascucetas”, conta. 

O evento inclui ainda uma feira de economia criativa, apresentação de artes performáticas, residência artística de escrita com Anderson Feliciano e Nívea Sabino, um ateliê aberto de artes visuais com Babi Macedo e a exibição do documentário “Meu Corpo é Político”, de Alice Riff. “É uma mostra para a gente se encontrar, trocar conhecimentos e vivências entre pessoas que querem construir um mundo mais democrático e diverso”, define o organizador do evento.

Trajetória

Ocupando o Teatro Francisco Nunes mensalmente até novembro, Leal explica que a “Quarta Queer” nasceu do desejo de criar um espaço contínuo de comunicação para os artistas LGBTs da capital. Para ele, o projeto contribui também para o mapeamento desta produção cultural. “A mostra tem esse propósito de dar visibilidade para um monte de trabalhos que já estão aí, que existem, mas que podem ter dificuldade de entrar em um teatro público ou um festival”, explica.

Além da visibilidade, ele acredita que a iniciativa cobre uma lacuna cultural latente. “Acredito que a mostra tem relação com uma necessidade do campo da cultura de ter políticas públicas em um recorte LGBT, porque ainda não existe um pensamento público para essas questões no espaço teatral”, pontua Leal.

Serviço: Quarta Queer – Corpos políticos, nesta quarta-feira (29), às 13h no Teatro Francisco Nunes (Av. Afonso Pena, s/n – Centro). Ingressos: R$ 5