Terror psicológico em filmes de arrepiar

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
24/04/2016 às 15:18.
Atualizado em 16/11/2021 às 03:05
 (Divulgação)

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O cinema de terror ganha destaque com o lançamento dos longas “O Visitante” e “A Colina Escarlate” em DVD e Blu-Ray. Cada um presta uma curiosa “homenagem” a um estilo marcante do gênero, como as clássicas produções da Hammer, estúdio inglês especializado em fitas de horror nas décadas de 50 e 60, e os found-footages (gênero lançado nos anos 1990, com “A Bruxa de Blair”).

Dirigido pelo mexicano Guillermo Del Toro, realizador dos marcantes “A Espinha do Diabo” e “Labirinto do Fauno”, “A Colina Escarlate” parece ter saído de um romance gótico, dos cenários medievais à exploração de temas como a decadência burguesa e a psicologia do terror, com destaque à deformação do corpo e a loucura.

A história acompanha Edith (Mia Wasikowska, de “Alice no País das Maravilhas”), que, após se casar e ser levada para um castelo que despenca a cada dia, passa a ver fantasmas de mulheres, sendo tratada como louca. De pele branca, Edith contrasta com o negro das roupas de seu marido e sua cunhada e também com o vermelho do sangue que brota das profundezas.

A podridão surgida do chão do castelo é simbólico de uma aristocracia arruinada. Isso se reflete num mal sedutor, que busca sugar a pureza dos outros, contaminando a sociedade com seu discurso pomposo.

Acerto

Acossado pelo fantasma de "O Sexto Sentido”, o seu filme mais famoso, M. Night Shyamalan consegue, em “A Visita”, recuperar a boa mão no domínio dos elementos de terror.

O que a câmera de dois irmãos – que vão passar o final de semana com os avós maternos que não conheciam – exibe não é mais importante do que a falta de resposta da mãe quando indagada, numa gravação, sobre seu passado, a respeito das relações com os pais dela, e também sobre o que teria gerado a separação do marido. Há uma lacuna de 15 anos nessa história e é o que o filme brilhantemente busca elucidar.

A cada passo dado em direção a um crescente estado de horror na casa dos avós, Shyamalan fecha o quebra-cabeças em torno desse mistério familiar, com o primeiro provocando uma espécie de “cura” dos traumas daquele grupo familiar. O medo passa, assim, a ganhar um caráter pedagógico, uma das marcas do cineasta, para quem o sobrenatural é menos terrível que as nossas feridas interiores.

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