Ator mais familiarizado com a comédia, principalmente em papéis de adultos que se esqueceram de crescer e convencidos de que estão no caminho certo, Owen Wilson é o que há de melhor em “Horas de Desespero”, thriller de ação que acaba de ser lançado em DVD.

Aquele ar frágil e carente, que parece também acompanhar a vida real do ator, ajuda a dar credibilidade a um engenheiro que aceita a oferta de emprego num país de cultura exótica e que sofre um golpe de Estado justamente no dia em que põe os pés em seu novo lar, ao lado da família.

Owen carrega no rosto o peso de uma decisão que põe em risco a mulher (Lake Bell) e suas duas filhas, passando a estampar a força do homem comum diante das grandes adversidades – tema semelhante percorre “O Homem que Sabia Demais” (1956), de Alfred Hitchcock.

Naquele filme, James Stewart vive um médico que passeia com a esposa por Marrocos e também se vê envolvido num problema externo, encontrando energia de onde não sabia existir para proteger a sua família. A desconfiança e o medo do que é diferente são alguns dos ingredientes de suspense.

Esse mote também permeia “Horas de Desespero” desde o primeiro minuto. Não há qualquer preocupação em mostrar algo de positivo no país asiático – só se sabe que é vizinho do Vietnã, provavelmente o Camboja, como se o partido do Khmer Vermelho quisesse retomar o poder.

Vampirismo

Diretor mais conhecido por sua filmografia que tem como base produções de horror, John Erick Dowdle (“Assim na Terra Como no Inferno”, “Demônio” e “Quarentena”) transforma o lugar num inferno, fazendo da população local uma espécie de raça de zumbis, exibindo um desejo incontrolável em matar os estrangeiros que corromperam a sua cultura.

Esse discurso está presente em Pierce Brosnan, um agente inglês que ajuda grandes corporações a se instalarem em países pobres. Há uma crítica ao vampirismo das multinacionais, que causam muitos prejuízos ambientais, mas posta de uma maneira tosca e duvidosa.

O povo só estaria reagindo a anos de opressão, mas com uma violência desproporcional, tirando-lhe qualquer razão, especialmente quando, do outro lado, estão um casal e duas crianças. Até porque o agente corrupto parece mais amigável do que qualquer um dos “monstros de olhos puxados”.

Dowdle até cria algumas boas sequências de ação, mas, na maior parte do tempo, os diálogos são pavorosos e há instantes que beiram o ridículo, como aquele em que Brosnan “ressuscita” ao olhar para trás e perceber que seus amigos americanos não conseguirão se defender.