PARIS - Nos desfiles de moda, a primeira fila é o lugar onde todos querem estar, para ver melhor e para serem vistos, o mais próximo possível de Ana Wintour e dos famosos. Um verdadeiro quebra-cabeças para os organizadores. A história deu a volta ao mundo entre os fashionistas há um ano. Durante a Semana de Moda de Nova York, a correspondente de uma revista de moda francesa esbofeteou uma relações públicas em um desfile.
    
O motivo da briga foi o tratamento reservado à mãe da jornalista, retirada de seu lugar no último instante após a diminuição de 60 lugares pelos bombeiros, por segurança. "Uma bofetada é pouco frequente. O que é frequente é o descontentamento", disse à AFP uma fonte do mundo da moda em Paris, que pediu anonimato. "Todos querem estar na primeira fila, que não é elástica".
    
Lá estão os imprescindíveis: famosos de Estados Unidos, França e, ultimamente, Ásia. As estrelas do mundo da moda, como a equipe da Vogue americana, liderada por Anna Wintour; ou Suzy Menkes, a respeitada jornalista do International Herald Tribune; Emmanuelle Alt, da Vogue França; alguns blogueiros... e também alguns aspirantes.  
    
Preparar os lugares "é cansativo, leva vários dias", dizem os responsáveis da maison Issey Miyake. Duas semanas antes de cada desfile, os estilistas repetem o mesmo ritual. Preparam um mapa com pequenos quadrados, um para cada convidado, e depois começam a colocar os nomes.
    
Na abertura dos desfiles de Paris, em 27 de setembro, serão 940 lugares, dos quais 142 na primeira fila. No total, 65% dos lugares são reservados para imprensa, 25% para compradores e 10% para convidados. As proporções são as mesmas para a primeira fila.
    
"A localização acontece em função da importância que a marca atribui à pessoa", destaca a fonte. Se entende que é humilhante terminar na 7ª fila, de onde não se pode ver as roupas. Com o tempo, "as primeiras filas evoluíram. No princípio, eram reservadas para os jornalistas, para que pudessem apreciar de perto os modelos apresentados (...) Agora há mais famosos", explica a fonte. "A primeira fila tem que ser atrativa, tem que inspirar desejo. Então, se tem estrelas... uau!"
    
Ser penetra tem seus riscos
   
O grande trabalho para encontrar um lugar para todos não impede que os convidados terminem uns em cima dos outros. A culpa é dos penetras. "Há desconhecidos que tentam entrar, a amiga da VIP que se nega a ficar atrás, os que querem sair na foto ao lado dos famosos". Da imprensa, "às vezes se espera um e chegam quinze. Quando é uma revista importante, não se pode dizer nada".
    
Mas ser penetra na primeira fila é arriscado. Em julho passado, quando estava a ponto de começar um desfile, um lugar estava vazio. Uma jornalista se instalou furtivamente... antes de ser obrigada a sair pelos olhares furiosos do restante: Era o lugar de Suzy Menkes! A intrusa terminou de pé, atrás de todos.
    
Para Sylvie Grumbach, da empresa de relações públicas "2e bureau", o lugar em um desfile "é como para um jantar". "Se coloca a pessoa por afinidade, porque há pelo menos meia hora de espera antes do início. Temos que ter cuidado de não nos meter.
 
Anna Wintour, que inspirou o filme "O Diabo Veste Prada", não tem só amigas entre suas colegas. "Diante dos fotógrafos, todo mundo se comporta bem", diz Sylvie Grumbach. Também há desfiles em que a pessoa fica feliz por ter sido convidada, mesmo que seja para a segunda fila. Isso aconteceu por exemplo no desfile do idolatrado estilista Azzedine Alaia, em 2011, após sete anos de ausência. Foram somente 250 convidados.
 
"É convidada a pessoa que vale a pena. Não é um espetáculo, é moda", disse a assessora de imprensa desse
desfile.