Ao margear os 80 anos de idade, Tom Zé admite que “sempre aprende com a juventude”. A declaração cheia de humildade e um tanto quanto diplomática do experiente artista poderá ser comprovada nesta quinta-feira (3), quando o baiano sobe ao palco com a cantora, flautista e clarinetista mineira Juliana Perdigão para abrir a segunda edição do “Festival Meio de Campo”. O encontro é inédito.
 
“É a nova cantora de raça”, sintetizou Tom Zé, sobre a artista de 35 anos, em um post no Facebook dele, nesta semana. “Não sei o que ele quis dizer com isso, mas gosto dos vira-latas também. Achei engraçado, simpático. Parece que significa alguma coisa boa”, brinca Juliana.
 
A idealizadora do evento, Lailah Gouveia, foi quem convidou Juliana a participar do Festival. E Juliana, por sua vez, já tinha em mente que gostaria de tocar com o multiartista: “Sou fã desde menina”.
 
Convite de rei
 
“Quero que o comitê de prostitutas vá ao meu show. É como se diz: ‘Venha a nós o vosso reino’. Já fui ao reino delas. Elas, agora, têm o compromisso moral de irem ao meu reino”, avisa o músico.
 
Tom Zé faz referência a uma das recentes oportunidades em que tocou em BH, em um palco da rua dos Guaicurus, durante a “Virada Cultural”, no último ano. “Fiz uma música para elas. Em evento assim, sempre faço uma música...”
 
Octogenário tropical
 
Caetano Veloso tem 73 anos, Gilberto Gil, também. Todavia, Tom Zé é o mais velho da Tropicália. “Sou o mais velho de lá”, pontua. E você se sente meio pai, irmão mais velho deles, Tom Zé? “Caetano e Gil tinham uma coisa, minha filha, que é muito difícil. Eles nasceram com uma antena super sensível e uma capacidade de pegar o pulso da sociedade”, diz.
 
Mas Tom Zé, que completa 79 anos em outubro deste ano, avalia o encontro com os demais músicos como algo que “por acaso” o levou a esta “felicidade” de ficar na geração deles. “Fiz escola atrasado, fiz tudo atrasado. E tive esta felicidade de ver o que são dois camaradas ‘cobrento’”.
 
Ou seja, não tem discrepâncias. “Quando tinha 32 anos, tiramos uma foto na porta da casa de uma amiga nossa, aqui em São Paulo. Um dia, publicaram esta foto em um jornal dizendo que eu tinha 16 anos ali”, exemplifica.
 
O tráfego facilitado com os que vieram depois ainda se mantém. “E até hoje eu ouço muito a juventude. Tanto que ouvi a Perdigão, por exemplo, e a ‘Curva’, eu fiquei muito admirado do jeito dela de trabalhar e dos moleques dela também. Sou um pouco cuidadoso com isso”, elogia.
 
O show, explica Tom, será: “Vinte minutos, eles. Depois, vinte minutos, eu. E depois, no fim, uns 15 minutos, juntos. Tem que acabar antes de o público ter vontade de fazer xixi. Senão, não presta. Show em que pessoa fica apertada para fazer xixi é show de vagabundo”, ensina.
 
                                          
Encontro de gerações ‘de raça’
 
JULIANA PERDIGÃO – Desde “menina” ela é fã do baiano quase octogenário. Crédito: Élcio Paraíso/Bendita/Divulgação
 
 
“Festival Meio de Campo” apresenta Tom Zé e Juliana Perdigão, nesta quinta-feira (3), às 21h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (Praça Sete, Rua dos Carijós 258, Centro). Ingressos: R$ 20 (1º lote), R$ 25 (2º lote) e R$ 30 (3º lote). Meia-entrada para estudantes e pessoas com até 21 anos mais de 60 anos. Outras informações: (31) 3222-4389.
 
Próximos shows: Hermeto Pascoal e Rafael Macedo (10/9); Renato Teixeira com convidado a ser definido (17/9); Egberto Gismonti e Alexandre Andrés (24/9).
 
Juliana Perdigão mora em São Paulo, há dois anos, onde trabalha no Teatro Oficina