Um dos maiores nomes do cinema brasileiro, diretor de “Central do Brasil”, indicado ao Oscar de melhor produção estrangeira em 1999, Walter Salles não se limitou a fazer um filme sobre a tragédia ambiental ocorrida em Mariana há dois anos. Além do ficcional “A Terra Treme”, integrante do longa em episódios “Em que Temos Vivemos?”, o realizador produziu o curta documental “Vozes de Paracatu e Bento”, que será exibido nesta terça-feira (27), às 19h, no auditório Liberdade da PUC Minas, no campus da Rua Sergipe, dentro do evento “Crime Ambiental em Mariana: E agora?”.

O filme foi apresentado em agosto, no canal Globo News (TV paga), e apresenta uma série de depoimentos que serviram de base para história ficcional protagonizada por Maeve Jinkings e Rômulo Braga. Salles reuniu vários atingidos na Igreja de Santo Antônio, uma das poucas edificações que não foram tragadas pelo mar de lama e dejetos oriundos do rompimento da barragem. A equipe do filme, por sinal, ficou impressionada com a recepção da população, quando chegaram nos distritos de Bento Gonçalves e Paracatu para iniciar o trabalho de pesquisa.

“Estavam sempre com sorriso nos lábios, mostrando uma doçura de quem tem consciência de que é preciso seguir. Nós fomos atrás dessa doçura para fazer o filme”, lembrou Maeve ao Hoje em Dia, na época do lançamento de “A Terra Treme” na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no ano passado.  A partir da história de um casal e seu filho, que têm suas vidas abaladas pela tragédia, Salles fez um filme de denúncia, que evidencia as sequelas emocionais e o descaso do governo.