O Museu de Congonhas, localizado na cidade homônima, na região Central de Minas, realiza um bate-papo na noite desta quinta-feira (11) sobre a origem de Feliciano, o fiel responsável pelo início da construção do Santuário, que é considerado pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade. O evento tem início às 19h30, com entrada gratuita. 

Participam da conversa o escritor Domingos Costa, o cineasta Edson Ferreira e Sérgio Rodrigo Reis, diretor do Museu. Sérgio falará sobre sua experiência em Portugal, quando participou do Congresso Internacional Sobre as Devoções ao Bom Jesus de Matosinhos, onde foi revelada a verdadeira origem de Feliciano. 

“O objetivo é ampliar o debate e democratizar as novas descobertas, reunindo pesquisadores para juntos remontarmos a história de Feliciano Mendes, responsável pela construção da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas. No Congresso em Portugal foi revelada a verdadeira certidão de nascimento de Feliciano, o que nos possibilita fazer um raio x, com a história e a origem, do ermitão fundador da devoção que fez com que Congonhas se tornasse Patrimônio da Humanidade ”, contou Sérgio. 

A nova descoberta

Há 262 anos, um ermitão português de origem simples, de nome Feliciano Mendes, fundou, como retribuição a uma graça alcançada, uma das maiores peregrinações brasileiras: a dedicada ao Bom Jesus de Matosinhos, na cidade mineira de Congonhas. O mistério sobre a verdadeira origem do fiel só agora pôde ser revelada. 

A revelação ocorreu durante o I Congresso Internacional do Bom Jesus de Matosinhos, evento que reuniu, em junho de 2019, no norte de Portugal, representantes dos lugares ao redor do mundo com devoção semelhante. 

Após anos de pesquisa nos arquivos nos arredores do município português de Guimarães, foi encontrada a certidão de nascimento do ermitão. Os dados nelas contidos abrem diversas perspectivas para os estudos sobre as origens desde que, ao longo dos anos, se tornou uma das maiores rotas de fé e devoção brasileira. 

A devoção de Feliciano Mendes 

Na segunda metade do século 18, Feliciano Mendes contraiu uma grave doença cujo nome não se sabe, mas que segundo a tradição teria sido motivada pelos árduos trabalhos de mineração. As preces do devoto ao Senhor de Matosinhos para alcançar a cura foram atendidas e, a partir daí, Feliciano passou a se dedicar inteiramente à construção da Igreja.

Não era uma igreja comum como as centenas que existiam espalhadas pela capitania das Minas, mas, um santuário, como os dois que existiam na região em que nasceu, nas proximidades de Guimarães, norte de Portugal - O Santuário de Braga e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, nos arredores do Porto. 

Museu de Congonhas 

Localizado a 80 quilômetros de Belo Horizonte, o Museu de Congonhas cumpre a missão de potencializar a percepção e a interpretação das múltiplas dimensões do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. 

O local é um sítio histórico que abriga um conjunto arquitetônico e paisagístico formado pela Basílica, escadaria em terraços decorada por esculturas dos 12 profetas em pedra-sabão e seis capelas com cenas da Via Sacra, contendo 64 esculturas em cedro em tamanho natural, trabalhados pelos artistas de maior destaque do XVIII e XIX, o escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814), e o pintor Manoel da Costa Athaíde (1760-1830). 

O conjunto também possui a Sala dos Milagres, que abriga uma coletânea de ex-votos, objetos oferecidos em agradecimento por graças alcançadas. 

“O Museu de Congonhas, em quase quatro anos de funcionamento, se configurou em um dos mais importantes projetos de preservação da memória e de envolvimento da comunidade do país. Por meio de seus programas, projetos e ações, conseguiu em tão pouco tempo ressignificar o turismo e a cultura dessa cidade que é Patrimônio Cultural Mundial, desde 1985”, afirmou Sergio Rodrigo Reis.