O jeitão roqueiro não esconde: Erasmo Carlos é só amor. É com muito pensamento positivo que ele, aos 77 anos, blinda-se contra notícias ruins. 
“A minha missão sempre foi essa. Sempre fui esse cara que, todos os dias, fala de amor. Essa é a minha herança”, avisa o “Tremendão”, que lançou no ano passado o disco “Amor é Isso”, base da apresentação que fará hoje no Cine Theatro Brasil Vallourec.

“Sou muito afetivo. Amo as pessoas e detesto sentimentos ruins, como inveja e esse ódio todo. Sou um cara do bem, sabe? Tenho fé nas pessoas e isso acaba indo para as minhas músicas”, registra Erasmo, que resolveu musicar os poemas amorosos que escreveu à esposa em sete anos de relação, chamando velhos e novos parceiros, como Samuel Rosa, Marisa Monte, Nando Reis, Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes e Emicida.
 

“A música hoje se tornou ritmo. Ela se tornou uma festa muito grande. Eu não sou contra festa. Gosto de festa. O problema 
é que falta melodia nas 
nossas músicas”
Erasmo Carlos


“Saiu um repertório que tem o amor como conceito. Um amor infinitamente elástico, que abraça todos os outros amores, como o que sentimos pelos pais, pela família, pelos objetos, pela Natureza”, ressalta. 

A esta fase musical amorosa junta-se o filme “Paraíso Perdido”, de Monique Gardenberg, lançado no ano passado, que tem Erasmo como dono de um clube noturno e personagem central de uma narrativa sobre afetos.

Travesseiro
O repórter insiste: nada abala o “Tremendão”, nem mesmo a demonização recente da cultura? “Cara, sou muito centrado, bem resolvido comigo mesmo. Não tenho segredos e o travesseiro é o meu psicanalista. E ninguém engana o travesseiro, não é mesmo? Eu estou satisfeito com a minha missão na Terra, com o que colhi. Não devo nada a Deus e sempre agradeço o ar que respiro, o que alimento, o vento que bate no meu rosto... Tudo isso faz com que as adversidades pareçam menores”.

Apesar da facilidade, como explica este momento de paz interior, o grande parceiro de Roberto Carlos em sucessos como “Eu Sou Terrível” e “Minha Fama de Mau” confessa que não é fácil falar de amor. “Descobri que é uma coisa difícil de definir em palavras. É muito mais fácil com gestos. No início do show, mostro um filmezinho que fala justamente disso”, antecipa Erasmo, que lamenta não vir com frequência a “Belô” nos últimos anos.

O show que fará hoje, é bom frisar, não ficará restrito ao material de “Amor é Isso”. Ele destaca que “o público tem uma história muito forte” com as músicas dele, “que estão na memória das pessoas. Sempre tenho que cantar os sucessos”. Já na metade da turnê, o artista começa a pensar no próximo trabalho. “As ideias estão surgindo e a vontade aparecendo. Mas demora muito entre o pensar e agir, né? (<CF36>Pelo menos</CF>) Um ano e pouco”.

SERVIÇO
“Amor é isso” – Show com Erasmo Carlos. Hoje, às 21h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (Avenida Amazonas, 315).
Ingressos: R$ 60 (R$ 30, a meia).