O conhecido carimbó do Pará, temperado com tambores de Minas Gerais, invadiu as ruas e palcos de Belo Horizonte e, agora, virou disco. Após lançar dois singles como aperitivos ao público, a banda Tutu com Tacacá apresenta o primeiro álbum da carreira, homônimo, como a consolidação de um projeto que propõe uma ponte inédita entre os movimentos musicais mineiro e paraense. O trabalho estará disponível nas plataformas digitais a partir desta sexta (26).

São oito músicas autorais com fortes influências de expressões culturais regionais, como Congado, Folia de Reis e Catira mineira, carregadas com a guitarra e o banjo paraenses do carimbó. Nas raízes de uma banda de encontros, não apenas entre as geografias de Minas e Pará, o Tutu com Tacacá agrega em seu primeiro disco diversas participações originais, como a declamação de Lorena Lemos, militante do Levante da Juventude, na música “Resiste, Sempre-Viva”, em uma reverência à resistência das mulheres que se encontram nas ruas para lutar pelos seus direitos; e os sapateados e palmas de Mariana Razzi, inspirados na Catira mineira, famosa dança dos rincões sertanejos, e que encorpam o arranjo de “Mineira no Carimbó” – homenagem ao jeitinho particular que as moças das montanhas dançam carimbó.

Devido às restrições necessárias da Covid-19, algumas colaborações aconteceram à distância. “Sempre foi uma vontade trazer um pouco da energia do show pro disco, mas como o processo se deu durante o período intenso da pandemia, não pudemos gravar com o grupo todo reunido. Mas fomos encontrando outros meios de o trabalho fluir e de alcançarmos o resultado que queríamos. Como a maioria das gravações aconteceu no estúdio do nosso produtor musical, que fica em sua casa, ficou mais fácil organizar as agendas e aproveitar ao máximo a presença de cada integrante nas gravações”, explica a vocalista Ana Luísa Cosse.

O ex-guitarrista da banda, Pedro Fonseca, gravou as vozes principais da canção “Roda de Saia”, de sua autoria, em estúdio de São Paulo, e a baixista Camila Menezes registrou suas linhas groovadas de baixo em seu home studio. O álbum ainda contou com os acréscimos encorpados das baterias de Pedro Ramalho e Arthur Rezende em duas faixas, “Tutu com Tacacá” e “Guarás”, respectivamente.

Mesmo com todas as restrições impostas pela pandemia, a banda Tutu com Tacacá conseguiu transportar para o seu primeiro disco toda a energia e êxtase de suas apresentações. “Nos shows, o público sempre é um espetáculo à parte; nos emociona muito a interação, a entrega, o bailado e a alegria. Muita gente perguntou sobre como curtir nosso som em outros momentos, em casa, em festas, em viagens... Agora, com o disco lançado, será possível satisfazer essas vontades e também alcançar mais pessoas em todas as partes do mundo”, anuncia a vocalista Ana Luísa Cosse.

O resultado desse trabalho se materializou em oito músicas autorais (sendo dois pot-pourris) do disco “Tutu com Tacacá” que foi realizado com recurso recebido pela banda no Prêmio Cultural Aldir Blanc, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, em 2020, na categoria Linguagens Artísticas. A gravação do álbum foi realizada no Eremita Estúdio, localizado na casa do músico e produtor Luiz Camporez, que assina os arranjos, a produção musical, a edição, a mixagem e a masterização do álbum, além das gravações de voz, violão e guitarra.

Uma das tarefas de Camporez foi registrar separadamente em estúdio – incluindo participações à distância – as diferentes particularidades instrumentais e vocais do Tutu com Tacacá, um grupo que atua essencialmente no calor de tocar junto, com doses aceleradas de improviso, seja nas apresentações de rua ou em casas de shows e teatros. “Nas sessões de gravação, busquei equilibrar a sonoridade como se a gente tivesse tocando junto, pensando nas questões dinâmicas, no feeling de cada pessoa, sintonizando cada membro da banda conforme as músicas pediam e também como os trechos das músicas pediam”, retrata Camporez.

O álbum “Tutu com Tacacá” traz oito canções autorais, entre elas dois pot-pourris. As músicas foram criadas depois de uma residência artística feita no Pará por Marina Araújo, que assina cinco faixas, e Ana Luísa Cosse, autora de uma música em parceria com Luiz Camporez. Há, também, uma composição de Shari Simpson (flauta) e outra de Pedro Fonseca, ex-guitarrista e vocalista da banda. A percussionista Marina Araújo afirma que o álbum traduz uma vontade antiga da banda: “Queríamos muito gravar nossas composições autorais e, assim, entrar nas playlists das pessoas, permitindo que elas nos ouçam e dancem ao nosso som quando quiserem. Era, também, uma cobrança de quem segue o nosso trabalho”.