Devido às dificuldades que alunos das escolas públicas vêm enfrentando com falta de estrutura para acesso às aulas digitais, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se manifestou a favor do adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para novembro.

"É uma questão de igualdade de condições", sublinha Sandra Goulart Almeida, reitora da universidade, sobre a nova realidade educacional que a pandemia gerou, ao expor principalmente as dificuldades de acesso digital de parte da população.

"Estamos vivendo uma situação de exclusão digital muito séria no Brasil. Para uma parcela da população, este exame é muito importante, já que ele dá a possibilidade de ensino na universidade pública para estas pessoas", justifica Sandra.

Além deste fator educacional ligado à realidade social, a reitora destaca que, para o Enem ser realizado, é preciso haver um plano de contingência, ainda inexistente. "O Enem é um exame extremamente complexo e vai requerer uma nova estrutura".

Segundo ela, o exame se dará em condições muito diferentes daquelas praticadas em anos anteriores, já que não será possível reunir vários alunos numa sala. "Aquela coisa de a gente ver as ruas cheias de alunos, em dia de prova, será impossível", afirma.

Sandra frisa que a discussão sobre o exame de ingresso à universidade não é exclusividade do Brasil, citando países onde ocorreram adiamentos e alterações na forma de aplicação da prova. A reitora já solicitou um estudo interno para verificar todas possibilidades.

O adiamento, de acordo com a reitora, não atrasaria o ano letivo, por já estarmos vivendo uma excepcionalidade. "As universidades privadas estão tendo o mesmo problema, pois não conseguem dar 100% das aulas à distância. Em todo mundo, o ano letivo entrará em 2021".

Ela não descarta a possibilidade de realizar, na UFMG, um vestibular próprio, como era feito antes da adoção do Enem. "É importante que as pessoas façam o exame em igualdade de condições. O Enem, neste sentido, ainda é o mais democrático", assinala.

"A UFMG tem 54% de seus alunos oriundos das escolas públicas. É uma responsabilidade que temos com a juventude, que já vive um momento difícil ao sair do ensino médio e ter que decidir o que fazer. Não podemos tirar dela a condição de atingir o seu sonho", completa.