TIRADENTES – Foi em um festival de cinema realizado em Minas (em Juiz de Fora) que o diretor e ator Dellani Lima conheceu sua namorada, Kátia Caliendo, professora e programadora cultural em São Paulo. Foi ela, aliás, a razão de o cearense “mineiro de coração” ter trocado BH pela capital paulista. E é lá que Dellani pretende dar uma guinada, após anos dedicando-se ao “cinema de garagem”. “Estou me abrindo mais à ficção”, registra.

Duas de suas incursões no gênero, aliás, estão na Mostra: o curta “Agreste” e o longa “O Tempo Não Existe no Lugar em que Estamos”. Apesar de já ter apresentado outros filmes no evento, Dellani estava “passando mal” antes da exibição do curta, no último domingo (25). Refeito, explicou que a motivação para o novo rumo está nos convites que vem recebendo para atuar, caso de “Pingo D’Água”, de Taciano Valério, também na Mostra, e de “Faroeste”, de Abelardo Carvalho, previsto para 2015.

Como intérprete, Dellani entendeu que poderia trabalhar roteiros mais realistas, partindo da “linguagem da memória do corpo”. Explicando: encontrar pessoas – não só atores – que conheçam mais intimamente a realidade dos seus personagens. O que não significa abandonar seus alicerces (as artes visuais). “Quero passar certas coisas que vivencio, colocando questões sobre caminhos que estamos seguindo”. Um desses caminhos está em “Agreste”, passado na praia do Futuro (CE). Em cena, o dilema de um jovem sobre deixar o pai e o lugar para cair na estrada e viver grandes aventuras. “Ao sair de BH, fiz um filme de despedida do Ceará, 17 anos após ter vindo para Minas”.

(*) Viajou a convite da Mostra de Tiradentes