“A cultura, muito mais que expressão artística, é fator de mobilização social”. A afirmativa do escritor Anelito de Oliveira norteia o Fórum Sociocultural de Montes Claros. Criada em 2005, a iniciativa – que por um período ficou adormecida – ganhou corpo e voz este ano, em sua segunda edição.

No último mês de julho, durante três dias, a cidade foi invadida por apresentações teatrais, shows, mostra de cinema, conferências e palestras, que discutiram temas prementes, como o racismo, a violência contra a mulher e a democracia num sentido mais amplo. A novidade é que, este ano, o Fórum passou a ser permanente. Explica-se: “Estamos no Facebook, sempre levantando discussões”, brinda Anelito.

Vale voltar um pouco mais no tempo. Tendo a cultura como um amplificador de ideias, o escritor e coordenador se uniu a artistas, ativistas e professores para formar o Coletivo Voluntário Ajuntamento Democrático, que assumiu a frente do Fórum. “Trabalhamos para trabalhar temas importantes e estamos abertos à participação de todos. Queremos ocupar os espaços públicos e reativar aparelhos culturais”, explica Anelito.

Em julho, as atividades ocorreram em diferentes locais de Montes Claros, como o Centro Cultural Hermes de Paula, o Museu Regional do Norte de Minas, o Território Catrumano e a Unimontes.

Vale lembrar que, além das atividades artísticas, o Fórum possui um braço acadêmico. Na edição deste ano foram apresentados 27 trabalhos, que, no final de novembro, chegam às escolas públicas da cidade em forma de livro.

Novidades

O coletivo citado, lembra Anelito, se reúne quinzenalmente, em encontros abertos ao público. Para a segunda quinzena deste mês, a iniciativa preparou uma série de atividades de incentivo à leitura, que ocorrerá em escolas públicas de Montes Claros. “Vamos ter contação de histórias, por exemplo. A ideia é envolver professores e alunos”, conta o escritor, que pretende replicar essa mesma ação em presídios no próximo ano.

“Prezamos por construir as ações de maneira livre e crítica. Qualquer pessoa pode colaborar e nos ajudar a pensar a cidade, seus problemas e caminhos possíveis”, finaliza.