Em meio a tantas e imponentes lojas de doces espalhadas pelo centro da histórica Tiradentes, uma pequena e tradicional quermesse se mantém como o grande foco dos turistas que veem ao município da região do Campo das Vertente querendo adoçar um pouco mais a vida.
 
Funcionando há quase cinquenta anos no mesmo local, o Chico Doceiro é considerado um bem material e memorial de Tiradentes. Não é exagero nenhum dizer que ele é um doce de pessoa!
 
A trajetória desse ícone tiradentino iniciou quando ele começou a produzir canudinhos de doce de leite na década de 70. A iguaria era novidade na região e atraiu a atenção dos moradores dos municípios vizinhos. 
 
O velho Chico produzia tudo em casa e saia para vender. Com o tempo, os turistas descobriram este delicioso cone recheado e passaram a ir atrás do doce. Assim ele parou de rodar pela região. O crescimento da clientela levou ao aumento da variedade das guloseimas. Doce de leite, diversos tipos de cocadas, bananada, goiabada e até brigadeiro se uniram ao canudinho na vitrine da simples e modesta loja.
 
Atualmente, o tradicional tacho onde se faz os doces deixou de ser aquecido por lenha e passou a funcionar por um fogareiro a gás. Chico explicou que a questão ambiental e a dificuldade de encontrar lenha pura o levou a essa mudança. 
 
Apesar da idade avançada e do jeito modesto, o doceiro tem a cabeça aberta e escuta bastante os conselhos dos seus clientes. "Um turista norte-americana, que vem todo ano a Tiradentes, queria levar os canudinhos para os seus parentes. Mas o doce sempre chegava quebrado e ela ficava desapontada. Foi ai que ela me disse para vender as casquinhas separadas do doce. Hoje vendo o kit com 25 casquinhas e um pote bem grande de doce por R$ 25", contou Chico.
 
Em qualquer momento que você passe na frente da loja ela está com movimento. Mas, mesmo assim, Chico diz não saber qual e o motivo do seu sucesso. "Graças a Deus os turistas gostam dos meus doces. Deve ser porque dou minha vida para faze-los. E agradeço a cada pessoa que divulga a minha casa. Não invisto em divulgação e eles são a minha maior publicidade", afirma o doceiro enquanto entrega mais um doce a um cliente.