“Me interesso pela revolução do sentimento, do afeto. Quando não entendemos bem o que acontece fora, devemos olhar para dentro”. A reflexão do vocalista Hélio Flanders diz respeito não só a um momento pessoal ou ao contexto sociopolítico do país, mas ajuda a entender a onda de “Beijo Estranho”, novo álbum do Vanguart. O disco será apresentado nesta sexta-feira (15), pela primeira vez em Belo Horizonte, num show que tem a abertura do mineiro Nobat.

Para Flanders, o terceiro disco de inéditas do Vanguart é, também, o mais equilibrado da banda. “Há uma pluralidade maior nas composições, um jeito pop de comunicar. Em ‘Muito Mais que o Amor’ estávamos estigmatizados como uma banda ‘deprê’ e queríamos responder a isso. Agora, tivemos calma para perceber que podemos ser tudo. Podemos ter momentos ‘deprê’, de catarse, de amor”, defende Flanders, que assina a maioria das faixas. 

Ele ressalta que, no disco, também foi possível beber de outras fontes de inspiração da banda. “Nos outros álbuns, ficamos muito presos ao folk tradicional, à coisa country do violino, à canção beatle. Já nesse conseguimos ir além, dentro do universo da música pop”, afirma, citando influências como Brian Eno e The Smiths.

Do ponto de vista temático, a banda também mostrou diferentes facetas no novo trabalho. “As letras são um apanhado de momentos intensos e distintos que vivi nos últimos anos”, conta. “Os outros discos são bem conceituais. Mas, em ‘Beijo Estranho’, vi que está tudo misturado em nós. Foi um trabalho que me abriu muito a cabeça”, afirma Flanders, para quem as revoluções pessoais são a única chave para apaziguar diferenças históricas e progredir. “Quando se fala de si, se fala de tudo. A história de um homem é a história do mundo”.

Serviço: Show Vanguart. Abertura: Nobat. Sexta-feira (15), às 22h, n’A Autêntica (rua Alagoas, 1.172, Funcionários). Ingressos: R$ 45 (antecipado) e R$ 55 (portaria)