“Os caras estão vivos!”, diverte-se o guitarrista Armandinho, ao falar da importância da indicação do grupo A Cor do Som ao Grammy Latino, divulgado na terça-feira, poucas horas antes da entrevista ao Hoje em Dia. “É muito gratificante ver esse reconhecimento. O Grammy não é um prêmio que fica só no que é popular, no que está na mídia”, comemora o guitarrista, que estará no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes, neste sábado, junto com o grupo que marcou a cena musical da década de 1980.

Além da indicação na categoria de música instrumental, por “Álbum Rosa”, lançado no ano passado, A Cor do Som terá outras razões para comemorar com o público belo-horizontino. “É clima de festa, já que há quase dois anos não tocávamos músicas como ‘Abri a Porta’, ‘Zanzibar’ e ‘Beleza Pura’”, registra Armandinho. Será o primeiro show pós-pandemia da banda com o repertório do álbum “A Cor do Som: 40 anos” (2018), que reúne as canções mais marcantes ao lado de convidados especiais.

Um desses participantes do disco é o mineiro Flávio Venturini, que estará presente no show deste final de semana, cantando cinco músicas com o baixista Dadi Carvalho, o tecladista Mu Carvalho, o baterista Gustavo Schoeter e o percussionista Ary Dias, além de Armandinho, integrantes da primeira formação do A Cor do Som. De “Álbum Rosa” estarão duas músicas – “Frutificar” e “Pororocas” – que constaram do segundo disco, lançado em 1979, considerado um divisor de águas na trajetória do quinteto.

Concorrência

"Depois de um álbum totalmente instrumental, a gente começou a cantar, estourando no Brasil inteiro. Aquilo se transformou numa fórmula para bandas de música instrumental, com a inclusão de três músicas cantadas num disco de dez faixas. Vendemos 100 mil cópias para um público que jamais compraria disco de instrumental”, lembra. Armandinho não tem dúvidas sobre o papel do grupo na história musical do país, a ponto de, na época, gravadoras investirem em bandas para pegar carona nesse sucesso.

“Elas pegaram algumas bandas prontas, como 14 Bis e Roupa Nova, e as lançaram no ano seguinte. O pessoal da nossa gravadora disse que provocamos essa concorrência. Até fizemos um histórico show juntos, em Porto Alegre, com o A Cor do Som fechando a noite. Nós éramos como os Beatles do momento. Depois vieram Blitz, Paralamas do Sucesso e tantas outras. O Herbert Vianna virou meu fã”, assinala o guitarrista, que teve no pai Osmar – do trio elétrico Dodô e Osmar – um mestre.

Armandinho, criador da guitarra baiana (com cinco cordas), lembra que Minas Gerais foi um dos primeiros estados a comprar a ideia do trio elétrico, ainda no final dos anos de 1960. “Gente de Juiz de Fora e Cataguases pedia para eu desenhar a estrutura e mandar para eles. Minas foi o primeiro a absorver o trio elétrico. Em 1994, nosso trio esteve presente em Belo Horizonte, no centro da cidade, saindo da rua da Bahia, arrastando uma multidão. Só estava a gente de atração musical e nem era Carnaval”, relata.

SERVIÇO

Cor do Som – Neste sábado, às 21h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537). Ingressos a partir de R$ 90. Eles podem ser adquiridos na bilheteria do espaço ou no site  da Eventim. Haverá capacidade reduzida e distanciamento entre as cadeiras.

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