Foram duas semanas na Índia, mas não há exagero em dizer que a experiência cultural, antropológica e musical do Projeto Saravá junto a oito grupos de diversas partes do mundo esteja longe do fim. A banda mineira que levou choro e samba autorais e de artistas conhecidos para a terra de Gandhi poderá se aventurar também pela Europa e África.

O convite informal já foi feito por colegas de profissão. A expectativa agora é a de que as articulações avancem, ajudando a expandir a bagagem e as conexões do grupo, que já tocou na Grécia, Albânia, Macedônia e no Kosovo.

Durante a viagem à Índia, em fevereiro, foram seis dias só por conta do festival de world music Sufi Sutra 2015, realizado em Goa e Calcutá. Os integrantes puderam conviver e trocar figurinhas com músicos locais e também do Egito, Tunísia, Marrocos e Dinamarca.

Escola
Em Goa, o grupo tocou em um teatro e encontrou pessoas que falavam português. Em Calcutá, o evento foi na rua, com direito à presença do governador.

“É um lugar muito diferente. É como se você estudasse história e geografia ali, na hora”, diz o músico PG Rocha.

Os custos com hospedagem, alimentação e passagens foram bancados pela organização do festival graças a contatos feitos pela Embaixada Cultural – organização sediada em Belo Horizonte que cuida do fomento e intercâmbio de práticas culturais. Contar com despesas pagas é raríssimo no universo da música independente, em qualquer parte do mundo.

Além de fazer apresentações no festival, o grupo teve a chance de conhecer mais sobre a Índia.
“No primeiro dia em Calcutá, fomos a uma vila de artistas, artesãos, contadores de histórias. Receberam a gente superbem. A galera valoriza esse contato”, conta o percussionista PG Rocha.

Sufismo

Além disso, a banda teve a oportunidade de entrar em contato com o sufismo, vertente contemplativa e mística do Islã.

“Mostrar um pandeiro a eles já é uma coisa de outro planeta, igual quando a gente vê os instrumentos da cultura muçulmana. Hoje, tenho outra visão daquela filosofia. E o povo de lá é festeiro como nós. Abraçam como os brasileiros e cantam dentro de ônibus, sempre jogando a energia para cima”.

Grupo pretende retomar projeto de choro com convidados

O Saravá, que tem um disco na bagagem, “Geraizêro do Arraiá” (2012), tem planos de retomar o “Projeto Saravá Convida”, que antes acontecia no Cartola Bar. O novo local ainda não está definido, mas há uma grande possibilidade de promover os encontros no Núcleo de Estudos de Cultura Popular (Necup), no Prado. A banda pretende manter a parceria com o Sesc para apresentações em praças, além de planejar outras viagens internacionais.

Meta é estreitar laços com produtores internacionais

A viagem para a Índia só foi possível graças à Embaixada Cultural, organização formada por artistas e gestores culturais interessados em promover o intercâmbio entre Minas e vários países. Prestes a estabelecer um escritório no Centro da cidade, a empresa já conquistou para o músico Gustavito uma residência artística na França. Por enquanto, o foco principal tem sido o mapeamento de mercados criativos africanos e as potencialidades de conexão com o Brasil. A partir desses contatos, em dezembro passado, a Embaixada Cultural realizou no Oi Futuro e no Distrital o Festival Internacional Minas Música Mundo.