A origem é finlandesa, mas “O Último Lance” não traz nada de exótico sobre o gélido país europeu. O filme, que terá pré-estreia neste final de semana, distribuído pela mineira Cineart, é um autêntico drama de segunda chance, em torno de um marchand   que ficou anos afastado da família para se dedicar à descoberta e venda de quadros valiosos.

Pode-se dizer que é um primo do recente “A Mula”, de Clint Eastwood, em que também vemos um senhor que tenta reatar os laços familiares após uma bem-sucedida vida voltado ao cultivo de rosas. O ponto de partida de ambos é idêntico: a perda de espaço com o apego à tradição, sem se atentar para as mudanças tecnológicas.

A aproximação familiar é quase forçada, com ambos protagonistas sendo levados pelas circunstâncias. No caso de Olavi, ele é obrigado a empregar o seu neto problemático na galeria enquanto  tenta arrematar um quadro dado como anônimo que pode lhe render uma fortuna. Há, como não poderia deixar de ser, o aprendizado recíproco.

Enquanto o personagem de Eastwood demonstra já não ter nada a perder, embarcando em perigosas aventuras para levantar dinheiro, o marchand parece imbuído em ganhar o “último lance” do título, arriscando tudo o que tem. No lugar da comicidade de “A Mula”, a obra de Klaus Härö caminha para um belo drama de reconciliação.

O que é mais interessante no filme são as relações que se criam entre o anonimato do quadro e o “desaparecimento” do marchand naquilo que sabe fazer melhor. A obra tem um grande valor para ele, mas não é essa a compreensão do mercado. Olavi, enfim, entende que, como o Cristo da pintura, a sua importância só poderá ser reconhecida postumamente.