Se você for um alienígena de um quadrante distante (ou ser um fiel discípulo da concorrente DC Comics), e não entende tamanha expectativa sobre um filme como “Vingadores – Guerra Infinita”, com estreia hoje nos cinemas, a resposta está em duas palavrinhas que viraram uma espécie de mantra entre os fãs dos super-heróis da Marvel: universo compartilhado.

Não são apenas os 64 personagens – dos mais célebres, como Homem-Aranha e Homem de Ferro, aos que figuram no segundo time da editora americana – que fazem deste terceiro filme dos Vingadores um dos acontecimentos de 2018. Para quem já viu as 16 produções lançadas com o selo da Marvel, “Guerra Infinita” representa o ponto final de uma narrativa iniciada há dez anos, com “Homem de Ferro”.

“É como alcançar finalmente o Santo Graal. Esperamos por isso a vida inteira”, comemora o fã e geek de primeira hora Henry Bernardo, assinalando que cada filme estava de alguma forma conectado para se chegar ao aguardado clímax. O vilão, lembra Bernardo, não poderia representar melhor este desfecho grandioso: Thanos, um ser que, nos quadrinhos, chega a ser maior que a própria existência.

“O conceito do vilão já é, por si só, o pior que poderia existir, pois ele não quer conquistar o mundo, mas sim destruí-lo completamente para cortejar a sua amada, que é a Morte”, observa o fã.

Henry Bernardo

“É como alcançar o Santo Graal” diz o fã Henry Bernardo

“Guerra Infinita” também surge como um ponto de virada no universo compartilhado das produções cinematográficas da Casa de Ideias, como também é conhecida a Marvel. “É um final de fase e outras já estão sendo preparadas, a partir do segundo Homem Formiga, que será lançado neste ano, e do filme de estreia da Capitã Marvel, em 2019”, salienta outro fã de carteirinha, Fabrício Vilas Boas.

Trata-se de uma sequência de filmes tão bem estruturada que levou Vilas Boas a fazer uma maratona em casa, revendo toda a filmografia Marvel recente. “Seguindo a ordem das histórias, não dos filmes lançados, mas sim da cronologia, você entende melhor algumas referências”, afirma, sublinhando que a “máquina de morte” de “Guerra Infinita” já estava sendo construída nas produções anteriores, na forma de joias que, juntas, possibilitam o poder supremo.

Para Bernardo, estabelecer essa conexão narrativa foi a jogada de mestre do estúdio, que também não se furtou a visitar gêneros diversos a cada longa-metragem. “O primeiro ‘Capitão América’ é um filme de guerra, enquanto o segundo é de pura espionagem. ‘Pantera Negra’ é uma obra completamente política. E por aí vai. Com tantos temas diferentes, o resultado não é um filme bobo de super-herói”.

Vilas Boas começou a sua paixão pelos heróis com os X-Men, grupo que ainda não se integrou aos Vingadores por uma questão contratual, já que os mutantes tomaram as telas a partir de outro estúdio (Fox), mesma casa do Quarteto Fantástico. Como a Disney, que vem concentrando o lançamento dos filmes mais recentes da Marvel, comprou a Fox, a Fase 2 terá a garantia de novos rostos muito em breve.

A ausência dos dois grupos de heróis em “Guerra Infinita” resultará em surpresas para os fãs (boas ou más, ainda não se sabe). Baseado na história em quadrinhos homônima, de 1992, há cenas importantes que precisaram ser modificadas.

Seja qual for a avaliação da turma geek para esse congestionamento de seres poderosos num mesmo filme, o fato é que um novo “Vingadores” está prometido para o próximo ano, mantendo a trilha bem-sucedida da Marvel em torno de seus personagens, como se fossem uma grande família.