Em “Os Oito Odiados”, uma das principais estreias desta quinta-feira (07) nos cinemas, o cultuado diretor Quentin Tarantino retoma o tema de “Cães de Aluguel”, seu primeiro longa-metragem, lançado em 1992.

Embora tenha se detido depois na questão da vingança, quase como um fator motivador do ser humano, o seu “début” é uma grande antessala para a violência a partir de uma crescente desconfiança.

No lugar de criminosos que, sem conhecer uns aos outros, passam a trocar acusações sobre quem os traiu num golpe fracassado, agora temos a reunião de vários e perigosos pistoleiros que não se bicam.

As primeiras duas horas (das três) de “Os Oito Odiados” trabalham essa dúvida constante e efervescente que remete à história da criação da América, marcada, em sua fundação, por disputas de terra.

Esses capítulos de sangue exploram, com a ironia peculiar de Tarantino, várias formas de discriminação e inimizade, desde a Guerra da Secessão, que teve como epicentro a abolição da escravatura.
 
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Dublador mineiro empresta voz a Clint Eastwood e John Wayne

A trama começa um pouco depois do final dessa guerra civil, que separou norte e sul dos EUA, no século 19. Como um Spike Lee às avessas, é o ambiente frio do estado de Wyoming que parece aumentar a tensão.

Logo na primeira cena há uma boa ideia disso, quando o caçador de recompensas vivido por Samuel L. Jackson, preso na neve, pede carona a um colega de atividade nada amistoso (Kurt Russell). Ele transporta uma criminosa (Jennifer Jason Leigh) que será enforcada em Red Rock, garantindo uma recompensa vantajosa. Sua desconfiança já vem daí: o interesse dos outros pela sua “carga”.

O prenúncio é de um daqueles filmes em que todos brigarão entre em si para ficar com o grande prêmio, mas esse detalhe é apenas o estopim da trama: o dinheiro não é o único ponto de discórdia.

Com seu linguajar chulo, tenso e cheio de humor negro, Tarantino vai escavando, a partir do confronto entre brancos, negros, confederados, ianques, bandidos e homens da lei; a essência americana.

Como Martin Scorsese, que também registrou um Estados Unidos erigido pela força e violência, geralmente em obras sobre mafiosos, Tarantino abraça o faroeste com esse propósito crítico e debochado.
 
Confinamento
 
Assim como em “Cães de Aluguel”, ele confina seus personagens num mesmo espaço, apostando em diálogos ferinos e tão violentos como seus banhos de sangue para evidenciar a estupidez desse povo.

Cada um tem seu discurso de ódio muito solidificado, a ponto de um carrasco (Tim Roth) não ver outra solução a não ser recriar, num abrigo para nevascas, a divisão territorial da guerra.

Mas surpresas levam a rumos inesperados, forçando novas alianças, como a própria história americana revela, num filme que homenageia o western spaghetti, a começar pela trilha sonora, assinada por Ennio Morricone.
Os cinco melhores filmes de faroeste

ERA UMA VEZ NO OESTE (1968)
De Sergio Leone, com Clint Eastwood

 

SETE HOMENS E UM DESTINO (1960)
De John Sturges, com Steve McQueen


O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (1962)
De John Ford, com John Wayne
 

MEU ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA (1969)
De Sam Peckinpah, com William Holden


RIO BRAVO (1959)
De Howard Hawks, com John Wayne