O violinista francês Nicolas Krassik possui um grande reconhecimento no universo musical brasileiro como instrumentista. Chegou a hora de mostrar melhor o seu talento como compositor no belo álbum “Nordeste de Paris”, o segundo que lança no Brasil ao lado dos Cordestinos – projeto criado em 2007 em que há uma união entre as cordas de violino, rabeca e baixo com a percussão.

Das dez faixas do disco, sete são assinadas por Krassik. As outras são releituras para “Refazenda” (de Gilberto Gil, que faz participação), “A Balada do Cachorro Louco” (de Lenine, que empresta sua voz no disco, com Lula Queiroga e Chico Neves) e “Tears” (do lendário guitarrista belga Django Reinhardt com o violinista francês Stépahne Grappelli).

“O jazz francês está homenageado na última faixa do CD, com a releitura de ‘Tears’, composição de dois dos maiores músicos de jazz da França”, afirma Krassik, explicando que o foco principal é a música nordestina, em especial, o forró e o baião. “A parte brasileira está no ritmo, nos instrumentos de percussão, na rabeca, no sotaque musical, no lado dançante das músicas”.

Mas “Nordeste de Paris” tem outras referências além de sonoridades mais populares. “Eu voltei a escutar outros gêneros de música, para buscar inspiração e compor para o grupo, eu queria uma pegada um pouco mais rock’n roll. Tudo isso inspirado pelo trabalho de forró do Gilberto Gil, da qual faço parte, e a obra do Lenine, sempre misturando o rock com a cultura nordestina”, explica.

Pesquisa

Krassik veio para o Brasil em 2001 para aperfeiçoar sua pesquisa sobre música brasileira. Tocava jazz e queria incorporar novidades a seu som. Mas aqui encontrou ótimas oportunidades profissionais e decidiu ficar no Rio de Janeiro. “Eu não pensava em ficar, mas acabou acontecendo, a música, o país, a cidade do Rio, o povo, o clima, tudo isso me conquistou”.

O projeto Cordestinos foi inspirado no flautista Carlos Malta e seu Pife Muderno. Hoje conta com Marcos Moletta (rabeca), Guto Wirtii (baixo), Carlos César e Chris Mourão (percussões).