TIRADENTES – Quando o vencedor da Mostra Aurora for anunciado neste sábado, durante a cerimônia de encerramento do Festival de Cinema de Tiradentes, uma significativa mudança de rota terá sido traçada tanto para o filme quanto para os seus realizadores.

Dentro de uma proposta de cinema mais arriscada, de cunho independente, ganhar o troféu Barroco pode significar uma longa vida para o filme em festivais internacionais e maiores possibilidades para o diretor conseguir financiamento nos próximos projetos. 

“Foi aqui que uma pessoa viu o filme e o levou para (o festival de) Locarno, na Suíça”, lembra Felipe Bragança, que ao lado de Marina Meliande, venceu a segunda edição da Aurora, em 2009, com o carioca “A Fuga, a Raiva, a Dança, a Bunda, a Boca, a Calma, a Vida da Mulher Gorila”.

Se não fosse pela mostra, observa Bragança, o filme até poderia ganhar boa recepção de crítica, mas não teria um lugar para alavancá-lo internacionalmente. Ele lembra que, na época, Tiradentes ajudou a construir a ideia de que havia nova geração de cineastas.

“Ainda tinha-se aquela ideia da retomada, de que cada um estava fazendo o seu filme, mas que não havia nenhuma movimentação cultural em torno disso”, destaca Bragança, que voltou à cidade histórica para exibir “Tragam-me a Cabeça de Carmen M.”, em outra seção do festival.

Para ele, a Aurora mostrou, ao longo do tempo, ser viável do ponto de vista midiático, “como exemplo cultural que apostar numa nova geração, em filmes feitos com pouco ou nenhum recurso, tinha relevância artística, sem desrespeitar outros filmes maiores”.

Tapinhas nas costas

O longa cearense “Estrada para Ythaca” ganhou o troféu no ano seguinte e o cineasta Guto Parente (que dividiu a direção com Pedro Diógenes, Luiz Pretti e Ricardo Pretti) relata impressão semelhante. “Não sei o que seria do filme se fosse lançado depois, em outro festival. Para a trajetória do grupo, Tiradentes foi fundamental”.

Sempre que possível, Parente exibe os filmes no festival, não só pela visibilidade como também pela recepção do público. “Não que seja um lugar confortável para estar, pois os debates são sempre complexos. Não é festival para ganhar tapinhas nas costas”, assinala.

Ele afirma que a mostra mineira é o lugar de escutar aspectos do filme que, em outros festivais, jamais lhe diriam. “Quando você conversa com o público da mostra tem a chance de aprender sobre o que fez, o que pode fazer e sobre o que realmente interessa”.

Ser selecionado para a Aurora, salienta Affonso Uchôa, representa a garantia de estar sintonizado com as propostas de cinema autoral. Ganhador em 2014, com “A Vizinhança do Tigre”, o mineiro também frisa que Tiradentes se tornou o ponto de encontro para cineastas que têm perfil experimental.

(*) Viajou a convite do evento

Mostra Aurora

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