Os “meninos”, como gosta de dizer Rogério Flausino, não estarão no palco. Marco Túlio, PJ, Paulinho Fonseca e Márcio Buzelin darão lugar a uma orquestra na apresentação que o vocalista do Jota Quest fará amanhã, no Palácio das Artes, dentro do projeto “Prudential Concerts”.
 
A mistura de clássico e pop rock resultará numa inusitada homenagem à Bossa Nova, a partir de escolhas pouco comuns. Especialmente em relação ao intérprete, como o próprio Flausino admite: “Após tantos anos tocando pop rock, parece não haver qualquer ligação (com a Bossa Nova)”.
 
A formação do cantor, que começou cantando em barzinhos de Alfenas, sua cidade natal, foi muito vinculada a MPB, antes de descobrir “o rock Brasil, que mexeu muito comigo”, como assume. “Interessava-me principalmente pela harmonia das músicas produzidas na época da Bossa Nova e também do Clube da Esquina”, lembra.
 
O repertório terá clássicos como “Chega de Saudade”, “Desafinado” e “Garota da Ipanema”. O resto é surpresa. “Posso dizer que tive que escolher músicas que pudessem fazer a transição da Bossa Nova ao meu trabalho e, entre elas, há ‘Faz Parte do Meu Show’, do Cazuza, meu herói”, destaca.
 
“Na verdade, a música brasileira acontece depois da Bossa Nova. É impossível para um cara da música não ter sido tocado por ela em algum momento. Sempre atinei para a harmonia. Pode não parecer, mas gosto de cantar coisas suaves também”, diverte-se.
 
Para Flausino, independentemente dos estilos em voga, a Bossa nunca sai de cena, sendo a música mais representativa do país no exterior. “É o momento em que juntamos uma coisa nossa, o samba, com algo deles, que é o jazz. Viajando para fora, você pode estar num restaurante ou padaria, ela estará lá”.
 
A homenagem terá o acompanhamento da orquestra regida por Carlos Prazeres, repetindo a dobradinha ocorrida no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, em julho, pelo mesmo projeto. “Fiquei muito feliz e emocionado. Nunca havia cantado com tanta elegância e refinamento”, lembra Flausino.
 
Compromissos
Em relação à agenda, o show serve como um respiro para uma programação que promete ser intensa neste trimestre, com o Jota Quest. “É show pra cacete!”, avisa. No último final de semana, foram três apresentações com casa cheia pela turnê de divulgação do DVD “Acústico”, lançado há um ano.
 
“Tá lindo, vamos deixar assim. Para quê mexer?”, indaga, ao falar de projetos fonográficos futuros. “O ‘Acústico’ trouxe um astral muito bacana, nos levando a fazer uma revisão desta caminhada, repassando todas as canções que fizemos. E elas renasceram! Há ainda muito show para fazer”, afirma.
 
Já são mais de 100 apresentações pelo Brasil (uma viagem para Portugal está acertada), com público em torno de 300 mil, dobrando em quase todas as cidades – em Belo Horizonte, eles tocaram no Palácio das Artes e no Km de Vantagens Hall, onde voltarão a se apresentar, em 3 de novembro.
 
Como uma “banda da velha guarda”, o Jota Quest aprendeu que disco tem que ser cheio, mas já começa a pensar no lançamento de singles e EPs. “Num grupo, fazer um álbum é um processo longo e desgastante, em que você tem que entrar no modo composição. Mas como tudo está diferente (cantarola), vamos ver o que vai ser mais legal”, diz. 
 
SERVIÇO:
Prudential Concerts, com Rogério Flausino – Amanhã, às 21h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537– Centro). Ingresso: R$ 50 (R$ 25, meia).