Apesar de não ter tirado os pés de casa por dois meses, durante o período em que ficou na cidade de Porto, em Portugal, no primeiro semestre de 2020, foi só a atriz e cantora Regina Souza retornar para Belo Horizonte, em agosto, para ela ser tomada por uma grande sensação de ansiedade devido ao estágio da pandemia no país.
O que o público da websérie “#Quarentemas” verá, a partir de hoje, nas redes sociais do Teatro em Movimento, é justamente um reflexo do que a pandemia gerou na vida de Regina: presa num apartamento de 65 metros quadrados, no bairro Anchieta, a  atriz criou uma rotina de, a cada novo dia, tentar organizar a casa, mas sem concluir.
“Como minha personagem, eu fui deixando as coisas sem finalizar. Às vezes parece que o objetivo de organizar tudo está muito distante. Um exemplo é meu armário de CDs. Falo que vou organizar tudo por ordem alfabética e guardar somente o que quero. Mas é tanto disco que acabo desanimando”, registra.

No episódio, ela vai deixando as coisas pela casa, o que transforma a vida da personagem num caos. “Tudo isso reflete uma falta de organização que é do nosso país. Nas pequenas coisas, vemos as diferenças”, destaca Regina, que, em Portugal, acompanhou os patrícios entrarem em lockdown rapidamente para frear o vírus.

Cada episódio de “#Quarentemas” apresenta um viés deste período de confinamento social, convocando um artista para criar uma história que se desenrolará entre quatro paredes. “Por mais que você trabalhe on-line, algumas coisas são repetitivas, como o próprio serviço de casa. Como não se pode sair, você vai tentando mudar as coisas de lugar. Este foi o meu ponto de partida”.

Um outro fio condutor proposto pela produção, além do tema ansiedade, foi a música. Regina recebeu um trecho da canção “Clube da Esquina 2”, em que fala “e lá se vai, mais um dia”. Por ser cantora, ela aproveitou os seus dotes para cantarolar o “Bolero de Ravel”, que possui um sentido de repetição e dramaticidade.

Pelo lado técnico, sobre como usar da melhor forma as possibilidades da câmera do celular, Regina teve a orientação de cineastas tarimbados, como Eder Santos e Gilberto Scarpa. “Foi a minha filha Clara que filmou. Foi bom porque deu mais movimento. Ela fechava o ângulo e acompanhava as minhas ações. Como aqui é pequeno e tem uma luz boa, foi tranquilo filmar”,avalia.

Regina se empolgou e devolveu aos produtores várias horas de filmagem. “Mandei um material enorme e ainda não vi o resultado. Não tenho a menor ideia do que irão aproveitar. Dependendo de como editarem, pode sair outra história”, registra Regina, não escondendo – para fazer jus ao tema do episódio – a ansiedade.