O vício já foi maior, mas o escritor e jornalista Xico Sá ainda se pega muitas vezes em tentação, “secando” um time grande à espera de um embate como Davi e Golias, em que o menos forte tem a chance de vencer. 
 
“Era do tipo anti-torcedor, agourando de forma doentia, a ponto de ver, na TV, sete jogos ao mesmo tempo. Um vício sem tamanho”, diverte-se esse santista, anti-palmeirense, anti-corintiano e anti-sãopaulino.
 
Tema de várias de suas crônicas e espécie de pronome de tratamento dirigido a seus leitores (“amigo secador”), Xico estará hoje em BH para falar da arte da “secação” e outros assuntos ligados ao mundo da bola.
 
Convidado do “Sempre um Papo”, ele lançará o livro “A Pátria em Sandálias da Humildade” (editora Realejo), reunião de textos publicados na “Folha de S. Paulo” e no “El País Brasil”, entre 2005 e 2016.
 
Dramas
Como fica bastante claro no livro, Xico nunca foi um adepto de estatísticas e análises frias de jogos. “O futebol é um drama completo. Eu sempre me apeguei aos personagens mais dramáticos”, assinala.
 
Ele cita Ronaldinho Gaúcho em 2012, em má fase no Flamengo antes de “mitar” no Atlético. “Ninguém acreditava nele. Estava aquela boataria toda e eu escrevi uma crônica desejando-lhe boa sorte”.
 
Xico acreditava – para usar um termo que virou mantra entre os torcedores alvinegros na conquista da Libertadores 2013 – na redenção de Ronaldinho, com o jogador realmente voltando ao bom futebol.
 
“Mas, em compensação, errei feio outras vezes. Um deles com Adriano. Achava que poderia se regenerar, pois esses momentos rendem as melhores crônicas. O drama de um craque me interessa mais”, salienta.
 
14 x 0
O gosto pelo drama é medido também na “secação” contumaz, não restrita às transmissões da TV. “Gosto de ir ao estádio. Vou em qualquer jogo. No início do ano fui ver um amistoso do Tupi, em Juiz de Fora”.
 
Nas férias, não perde a oportunidade de assistir “peladas” na várzea. Futebol na praia também vale. “Gosto de ver o comportamento da torcida, uma espécie de folclore levado aos estádios”, destaca.
 
Aventura que lhe proporcionou experiências curiosas, como ver uma goleada de 14 a 0 do Sport sobre o Santo Amaro, em 1976, com dez assinados por Dadá Maravilha. “Acabo dando sorte e assistindo a fatos históricos”.
 
Serviço: “Sempre um Papo” com Xico Sá – Hoje, às 19h30, no auditório da Cemig (rua Alvarenga Peixoto, 1200). Entrada gratuita.