Na décadas de 80 e 90, Xuxa era sinônimo de entretenimento infantil na TV, logo coroada como a “rainha dos baixinhos”, estendendo seus domínios ao cinema e ao mercado fonográfico. O show “Xuchá – O Chá da Xuxa”, que a artista gaúcha apresenta neste sábado, às 22h, no BH Hall, é como uma viagem no tempo, revendo paquitas, cenários, coreografias e, claro, músicas que marcaram uma geração e que até hoje são hits em festas de criança, como “Ilariê”, “Planeta Xuxa”, “Lua de Cristal” e “Arco-íris”. “Esse show realmente é como um passeio no túnel do tempo”, destaca a apresentadora de 53 anos, atualmente à frente do “Dancing Brasil”, na Record.
 
Por que a escolha de “Alice no País das Maravilhas” como uma referência do show?
Na verdade a “Alice no País das Maravilhas” é o tema da festa “Chá da Alice”. O “XuChá” surgiu de um lindo convite do Pablo, idealizador do “Chá” e acabou virando um lindo carinho no meu coração e um pedido para que virasse uma turnê. Fico feliz por ter aceitado, ter me jogado e ter recebido tanto carinho. 
 
O cenário parece ser uma mistura do que você apresentou nesses 30 anos com coisas novas. Acho que é a primeira vez que você recorre a um DJ, certo?
O DJ faz parte da festa e não do show (toca antes e depois o show). Durante o show pensamos em fazer novos arranjos e coreografias para as minhas músicas antigas, mas ninguém aceitou essa proposta. O pessoal quer ouvir a música original. Por isso vejo esse show realmente como um passeio no túnel do tempo.
 
Como se deu a seleção das músicas, já que você tem um repertório vasto? Tem alguma música em especial que você fez questão de incorporar ao show?
Sobre a seleção das músicas, escolhemos de acordo com o que o público pediu. Sobre as músicas que não podem ficar de fora, “Lua de Cristal”, sem dúvida, e claro, “Ilariê”.
  
Paquita/paquito é uma marca registrada de seus programas e shows e que revelou muitos artistas. Acredito que ainda seja amiga de vários deles. Você lembra de quem foi a ideia? Participava da seleção?
O nome veio de um papagaio que eu tinha chamado Paquito. A ideia veio da necessidade de eu ter uma ajudante de palco. Eu criei a roupa de soldadinho e dei o nome de Paquita, ainda na Rede Manchete. Quando fui para a Globo, virou uma profissão ser Paquita, com vários concursos que movimentavam o país inteiro. Elas eram preparadas, tinham aulas de tudo: dançavam, cantavam, aprendiam a desfilar e tinham aulas de etiqueta. Saíam prontas. Hoje muitas seguiram a carreira artística e são grandes atrizes de nossas novelas.
 
“Dancing Brasil”, que foi um dos recordistas de audiência na segunda-feira na Record, mostra que seu repertório continua despertando grande interesse. Quem é esse público? As crianças que hoje são mamães/papais ou há uma nova geração também?
Não sei responder quem é esse público. O meu público vai das crianças, que conhecem o XSPB (CD e DVD “Xuxa Só para Baixinhos”), às mães que foram minhas baixinhas, as vovós e vovôs que foram mães de baixinhos e baixinhas e aos baixinhos que cresceram comigo. Eu acredito que por ser algo que eu nunca fiz na TV, por ser um formato novo... Eu estou amando, me divertindo... Me solto, me meto e sofro a cada eliminação. A cada segunda temos literalmente um novo show.
 
Durante muitos anos você apresentou um programa infantil de sucesso. Hoje esse tipo de programa praticamente inexiste na TV. Como você avalia essa ausência? Voltaria a fazer um programa infantil hoje?
Hoje mudou tudo na TV. Há canais fechados exclusivamente para crianças e não se pode ter anunciantes, o que inviabiliza que as TVs abertas invistam em produções próprias. Eu amo criança e continuo fazendo meus vídeos do “XSPB” e lançando as minhas Casas X para eles.
 
Pensa em retomar também a produção de filmes, já que o gênero infantil ganhou novo fôlego nos cinemas?
Assim que tiver um bom roteiro, quero sim.