Uma crônica produzida por Zeca Camargo, vinculada no Jornal das Dez, da Globo News, nesse domingo (28), vem causando repercussão nas redes sociais. Ele comentou a comoção a respeito da morte do cantor Cristiano Araújo. O sertanejo, de 29 anos, e sua namorada Allana Coelho Pinto de Moraes, de 19, faleceram após um grave acidente de carro na madrugada da última quarta-feira (24), na BR-153, em Goiás. O texto do jornalista causou revolta também em vários artistas que promovem uma campanha virtual com a hashtag “QuemÉZecaCamargo”.
 
O jornalista inciou o texto dizendo que Cristiano era “ao mesmo tempo tão famoso e tão desconhecido”, mas que o que realmente o surpreende neste “evento triste foi a comoção nacional”. “De uma hora para outra, na última quarta-feira, fãs e pessoas que não faziam ideia de quem era Cristiano Araújo partiram para o abraço coletivo, como se todos nós tivéssemos desejando (...) um evento maior que nos unisse pela emoção”, disse. Zeca Camargo continua a crônica comparando essa comoção com outros famosos que também já faleceram, como Cazuza, Michael Jackson e Airton Senna. “Sim, todos esses eram ídolos de grande alcance. Como, então, fomos capazes de nos seduzir emocionalmente por uma figura relativamente desconhecida? A resposta está nos livros para colorir”, afirmou.
 
Para Zeca Camargo, os livros de colorir veio “bem a calhar” para fazer uma comparação com a morte do sertanejo. “(...) para que a gente faça um paralelo com à ausência de fortes referenciais culturais que experimentamos no momento. A morte de Cristiano Araújo e a quase insana cobertura da sua despedida vestiu a carapuça de um contorno de linhas pretas no papel branco só esperando a tinta das emoções das pessoas para ganhar tons e quem sabe um significado”, continuou.
 
Segundo o jornalista, a população, ao se mostrar abalada com a ausência do cantor, quer acreditar que está, de fato, comovida com a perda de um grande ídolo. “Todos sabemos que não é bem assim”, opina Zeca. Em seguida, ele afirma que a canção popular atual é dominada por revelações de uma música só. “(...) que se entregam a uma alucinada agenda para gerar um bom dinheiro antes que a faísca deste sucesso singular apague sem deixar uma chama mais duradoura. E, neste cenário, qualquer um pode, ainda que por um dia, ser uma estrela maior. Teria sido este o caso de Cristiano Araújo?”, indaga.
 
Zeca Camargo termina a crônica dizendo que o pop não precisa ser assim, pois a história musical e o passado recente prova que existem "ídolos de verdade" para serem adorados e “para chorar de verdade seja pela presença deles no palco ou na saudade da perda”. “Mas agora olhando em volta parece que não vemos nada disso", diz. Para o jornalista, o país precisa também de "herois de verdade". "Mas está todo mundo ocupado pintando jardins secretos", finaliza.
 
Assista ao vídeo em que Zeca Camargo fala da morte do cantor aqui