Quando veio a Belo Horizonte, no ano passado, para acompanhar uma exposição e debater sua obra, o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul – reverenciado no circuito de arte e dos festivais como um dos nomes de referência do cinema contemporâneo – não deixou apenas uma legião de fãs.

Deixou também a semente para o lançamento do primeiro livro em português sobre a sua obra, capitaneado pela produtora e distribuidora mineira Zeta Filmes. O resultado, que teve a colaboração direta de Weerasethakul, pode ser conferido nesta terça-feira (2) à noite, no lançamento que acontecerá na sala Multiespaço da Oi Futuro, que também exibirá um dos últimos trabalhos do realizador (“Hotel Mekong”).

“Apichatpong tem uma linguagem muito própria, com a cultura tailandesa muito impregnada em seu trabalho. O que fascina em sua obra é que, mesmo tratando de temas locais que nos provocam certas estranheza, ele consegue ser universal”, destaca Daniella Azzi, organizadora do livro ao lado da irmã Francesca.

Lançado pela editora Iluminuras, como parte da Coleção Oi Futuro de Arte e Tecnologia, o livro tem um título simples, carregando o nome do diretor. Reúne registros das exposições apresentadas no Brasil e artigos assinados por especialistas, como os críticos James Quandt e Aaron Cutler, e pelo próprio Weerasethakul.

“Os textos dele são os grandes destaques da publicação, porque não são teóricos. Assumem uma escrita muito particular de sua cultura, sobre os fantasmas que aparecem em obras como Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas e a reação dele ao cinema do país”, comenta Daniella.

O livro traz ainda a filmografia do artista, com sinopses e descrições de cerca de 34 filmes e curtas, além de uma seleção de instalações que Apichatpong realizou nos últimos 20 anos.

A organizadora deixa claro que se trata de uma publicação sobre um artista que está ainda em plena atividade, com uma obra aberta. “Ele já está com outro filme praticamente pronto, que deverá ser lançado no Festival Internacional de Cinema de Cannes. Ou seja, como é muito jovem, muitos livros ainda podem ser feitos”, assinala.