Um recurso da defesa do ex-goleiro Bruno Fernandes que pede a nulidade do juri que o condenou em 2012 e 2013 será julgado nesta quarta-feira (6) no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A partir das 13h30, cinco integrantes da 4ª Câmara Criminal irão analisar o pedido dos advogados, que pedem que prevaleça o entendimento do desembargador que não considerou válida a expedição da certidão de óbito de Eliza Samudio, em dezembro de 2012.

Em julgamento realizado em setembro do ano passado, no TJMG, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) obteve decisão favorável à manutenção da condenação do ex-goleiro e de Fernanda Castro, com a fixação das respectivas penas em 20 anos e nove meses e três anos de prisão. A pena de Fernanda foi substituída por prestação pecuniária e de serviços à comunidade. Também foi confirmada a validade da certidão de óbito de Eliza Samúdio, conforme decisão do juízo de Contagem.

Mas a decisão não foi unânime. O voto vencido do desembargador revisor determinou o desentranhamento da certidão de óbito, por considerar a prova ilícita e por essa razão, anulou o próprio julgamento de Bruno. O mesmo voto também decidiu pela anulação do julgamento de Fernanda, pela indevida exibição de prova, com a qual se pretendia influenciar os jurados.

A defesa então interpôs embargos infringentes, nos quais sustenta que o voto vencido está correto, retornando aos argumentos já discutidos no julgamento de setembro. A defesa de Fernanda, por sua vez, interpôs embargos de nulidade, escorando-se na parte vencida do voto do revisor, que reconheceu ter havido nulidade no julgamento por apresentação de documento em plenário, que não havia sido juntado aos autos anteriormente.

Bruno Fernandes está no presídio de Varginha, no Sul de Minas Gerais, desde abril de 2017. O goleiro foi preso em 2010 e condenado pelo homicídio triplamente qualificado de Eliza Samúdio e por sequestro e cárcere privado do filho Bruninho.

Relembre

Bruno foi condenado em primeira instância, em 2013, pelo homicídio triplamente qualificado da ex-namorada, ocultação do cadáver e sequestro e cárcere privado do filho. Ele chegou a ficar dois meses em liberdade, por causa de uma liminar, entre fevereiro e abril deste ano. Durante o período de liberdade, atuou pelo Boa Esporte, de Varginha, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro de futebol. 

Eliza Samúdio desapareceu em 2010 e o corpo dela nunca foi achado. Ela tinha 25 anos na época e era mãe do filho recém-nascido do goleiro. Na ocasião, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.