Réu no STJD por injúria racial cometida por torcedor, Cruzeiro se defende: 'não há prova inequívoca'

Lucas Borges
@lucaslborges91
18/11/2021 às 12:54.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:16
 (Remo/Reprodução/Twitter)

(Remo/Reprodução/Twitter)

O Cruzeiro se manifestou, na manhã desta quinta-feira (18), após ter se tornado reú no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), em razão de um caso de injúria racial cometido por um torcedor do clube estrelado contra o jogador Jefferson, do Remo, no duelo entre as equipes em 28 de outubro, no Independência, pelo Campeonato Brasileiro da Série B.

Em comunicado oficial (veja a íntegra abaixo), o Cruzeiro afirmou que não há prova inequívoca sobre as palavras proferidas pelo homem acusado do crime, já que o áudio não estaria claro, mas que, mesmo assim, agiu sem ser demandado para tratar do assunto.

A Raposa afirmou ainda que tentou localizar o torcedor, em parceria com a empresa que administra o Independência, mas que não obteve sucesso.

Ainda no comunicado, o clube celeste repudiou o racismo, destacou o trabalho da instituição para a conscientização contra esse crime, mas voltou a se defender. A Raposa entende que o clube não tem participação na transgressão, já que nada foi dito por qualquer integrante da diretoria ou da comissão técnica.

Sem resposta

Em outro trecho da nota, o Cruzeiro afirma que, na figura de seu presidente, Sérgio Santos Rodrigues, contatou o presidente do Remo, logo após tomar ciência do caso, oferecendo toda a estrutura para que os dois clubes, de forma conjunta, dessem exemplo de ação contra o racismo.

Entretanto, a Raposa afirmou que o mandatário do clube paraense sequer respondeu os contatos, preferindo ingressar com uma ação junto ao STJD.

Entenda o caso

O caso de injúria racial veio a tona quando perfis nas redes sociais, inclusive do próprio Remo, veicularam um vídeo (veja abaixo) em que um torcedor aparece ofendendo o atacante Jefferson, durante a comemoração do segundo gol do Azulino, marcado por ele mesmo.

Nas imagens, internautas apontam o momento que o agressor parece chamar o atleta da equipe paraense de "macaco".

Lei

O crime de injúria racial é caracterizado pela ofensa com base na raça, cor, religião, idade ou deficiência da pessoa. O Código Penal brasileiro, que em seu artigo 140 trata sobre a injúria, prevê pena de até três anos de reclusão a quem cometer o delito.

Além do gol de Jefferson, o Remo balançou as redes do Cruzeiro mais duas vezes e venceu o duelo por 3 a 1.

Até quando isso? O que ainda vai precisar acontecer para tomarem alguma atitude?@CBF_Futebol @ObRacialFutebol#NãoAoRacismo #RacismoÉCrime pic.twitter.com/yVNfQTaHDM— Clube do Remo (de ) (@ClubeDoRemo) October 29, 2021

Confira a nota do Cruzeiro na íntegra:

Nós, do Cruzeiro, temos trabalhado incessantemente para a conscientização contra o racismo e isso fica escancarado em ações e campanhas nos últimos tempos. O simples fato de existir a possibilidade de algo ter sido pronunciado nesse sentido em um jogo com mando nosso fez com que, antes mesmo de sermos demandados e ou termos certeza de qualquer fala, proativamente tratássemos do assunto em nossas redes sociais. Mesmo tendo a segurança de que nada foi dito por qualquer integrante de sua comissão técnica ou diretoria, preferimos agir. Ainda que o áudio não fosse claro e que não houvesse prova inequívoca sobre as palavras proferidas, naquele momento, a dúvida foi o suficiente para que nós, do Cruzeiro, decidíssemos agir.  

Aliás, faríamos novamente, porque não esperamos o racismo escancarado para agir. Uma mísera fagulha de racismo basta para que qualquer um lute contra. Inclusive, mesmo sendo um fato isolado, sem participação do Cruzeiro, vale lembrar, ainda tentamos, em ação prática, identificar com a Arena Independência quem teria agido nesse sentido. 

Mais do que isso, a gestão do Cruzeiro, na figura de seu presidente Sérgio Santos Rodrigues, tão logo tomou conhecimento da situação, fez questão de imediatamente contatar o presidente do Clube do Remo, no sentido de oferecer toda a estrutura possível para que, juntos, déssemos um exemplo de ação contra o racismo. O presidente do clube paraense, no entanto, sequer respondeu ao Cruzeiro, tendo optado por apresentar uma notícia de infração ao STJD, preferindo transformar uma oportunidade de discussão crucial ao desenvolvimento e evolução da nossa sociedade em uma tentativa de prejuízo desportivo a um adversário. Confiamos na Justiça Desportiva e temos convicção de que lá os fatos serão devidamente esclarecidos.

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